Analogia entre os modelos de manufatura ágil e manufatura enxuta

Na semana passada abordou-se a produção ágil apresentando suas principais características.

Essa semana, como prometido, procurou-se estabelecer uma análise comparativa entre os modelos ágil e enxuto de produção. Para realizar a analogia pesquisou-se alguns artigos procurando destacar as principais semelhanças e diferenças, longe, é claro, de esgotar o debate.

Primeiro as semelhanças. Manufatura enxuta e manufatura ágil estão focadas na satisfação do cliente, na redução de perdas e de custos.

Por outro lado, existem algumas diferenças significativas entre a manufatura ágil e a enxuta, no que se refere ao modelo de produção, configuração da produção, níveis de estoque e possibilidades de customização, processos de manufatura e resposta ao mercado.

O modelo de produção enxuta está centrado fundamentalmente na estratégia de linha de montagem, integrando trabalho manual de colaboradores e a operação de máquinas com o objetivo de desenvolver produtos a partir de componentes menores para as maiores montagens. Em contraste, a fabricação ágil depende, principalmente, de automação da produção e peças modulares para fabricar um produto. Ou seja, a manufatura enxuta (lean manufacturing) depende dos empregados para fabricar uma peça ou um grupo de peças, que é transferido para outro empregado, que dará prosseguimento à montagem de componentes adicionais. Máquinas automatizadas podem ser inseridas ao longo da linha de montagem, de modo a assegurar uma fabricação mais precisa, como o alinhamento de componentes eletrônicos numa placa de circuito impresso.

Outra diferença importante entre produção enxuta e a ágil é a configuração da produção. A manufatura ágil utiliza o sistema de automação como estratégia de produção principal. O número de funcionários é reduzido o que permite economizar nos custos de mão de obra, e os trabalhadores que permanecem ao longo da linha de produção estão empenhados em ajustar ou reparar as máquinas robóticas, quando necessário, em vez de fabricar um produto fisicamente. Como resultado, a linha de fabricação ágil é mais eficiente e de custo de mão de obra mais reduzido.

Os níveis de estoques variam significativamente entre manufatura enxuta e ágil. O lean manufacturing demanda numerosas peças pequenas, como anilhas de parafusos, para a construção de um produto. A abundância de diferentes peças e componentes contribui para taxas de estoques comparativamente mais elevadas. Em contraste, a fabricação ágil depende da construção modular de uma peça. Esta estrutura permite que partes normalizadas de diferentes produtos sejam fabricadas com os poucos módulos mantidos no inventário, contribuindo para baixar os níveis de estoques e de necessidade de fornecimento.

Processos de manufatura enxuta e ágil também diferem em termos de customização. A alteração de qualquer parte de um produto na produção enxuta com o intuito de personalizar o seu design ou funcionamento requer um redesenho das partes internas e externas, bem como o desenvolvimento de protótipos para verificar sua funcionalidade. Os produtos personalizados são extremamente caros, devido aos altos custos de pesquisa e design. Além disso, a linha de produção é interrompida durante a atualização para produzir um produto personalizado, o que gera um impacto negativo nos tempos de fabricação e nos custos. Em contrapartida, a produção ágil pode acomodar pedidos de produtos personalizados desde que a construção modular possa ser rapidamente alterada. A linha de produção precisa simplesmente adaptar ou acrescentar novos módulos para o produto existente. Como resultado, o consumidor pode adquirir um produto de preço competitivo personalizado, sem criar empecilhos a linha de produção.

Resumindo, a manufatura enxuta busca uma produção nivelada e balanceada com foco na redução de desperdícios. Já a manufatura ágil busca responder de maneira mais rápida e precisa as demandas do mercado. O modelo ágil busca atender mercados cujas necessidades variam muito em um curto período de tempo com demanda extremamente variável.

O que vem se observando cada vez mais é uma tentativa de integração de ambos os modelos, formando o que alguns autores denominam cadeias Leagile. Essa nova abordagem representa a combinação dos benefícios de redução de desperdícios da operação da cadeia lean com o elevado nível de serviço da cadeia agile. Essa estratégia é implementada comumente por meio do chamado ponto de desacoplamento.

Esse ponto tem como objetivo garantir que os componentes ou partes de um determinado produto sejam pré-produzidos de maneira lean, uma vez que a demanda por eles é mais previsível, até o ponto máximo onde a empresa é obrigada a entrar com a informação do pedido do cliente. É exatamente nesse ponto onde ocorrerá a diferenciação. A partir dele, a cadeia passa a operar de maneira agile para garantir que o lead-time de entrega seja reduzido sem que a cadeia perca em flexibilidade no fornecimento ao consumidor final. Mas isso é assunto para um outro DICAS DE GESTÃO.

Concluindo pode-se afirmar que Lean e Agile trazem abordagens e soluções diferentes para problemas semelhantes de forma complementar. Compreender os pontos fortes de cada modelo torna o profissional apto a aplicar esses conceitos dentro da empresa, aumentando sua flexibilidade, solucionando problemas de forma criativa e contribuindo para o aumento da competitividade da empresa.

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