Da gestão burocrática a gestão estratégica

Durante várias décadas, ao longo do século XX, o modelo de gestão burocrático predominou nas organizações a partir do desenvolvimento da teoria da Burocracia de Max Weber.

As organizações burocráticas, desde a sua origem, evidenciaram as relações sociais da época condicionadas pelo sistema econômico dominante. Dessa forma, a Burocracia configurou-se como uma forma de organização humana fundamentada na racionalidade, na adequação dos meios às finalidades pretendidas, com o intuito de assegurar a máxima eficiência no atingimento dos objetivos.

O modelo de gestão burocrático teve seu mérito na medida em que ajudou a consolidar as grandes empresas do século passado, todavia, com a emergência do que Peter Drucker caracterizou como uma nova era a era da descontinuidade, começa, utilizando uma linguagem popular, a “fazer água” na medida em que não oferece respostas à altura dos novos desafios do ambiente competitivo, sobretudo para a iniciativa privada.

A questão talvez mais relevante sobre os efeitos negativos da burocracia nas empresas é o fato dela comprometer a inovação já que processos inovadores, via de regra, se desenvolvem em ambientes com maior liberdade, liberdade de experimentar, onde é possível validar novos arranjos produtivos e novas formas de organização do trabalho.

Além disso, a gestão burocrática inibe a iniciativa das pessoas e das equipes, que perdem sua motivação para arriscar e empreender. A dificuldade em mudar qualquer coisa leva os colaboradores a se acomodarem em processos obsoletos e numa estrutura organizacional engessada determinada pelo excesso de formalismos e geralmente com muitos níveis hierárquicos.

A necessidade das empresas se adaptarem a um ambiente em profundas transformações, sobretudo nas últimas décadas do século passado, levou ao surgimento de uma alternativa ao modelo de gestão burocrática que tem como finalidade orientar as empresas para a estratégia e consequentemente para os resultados. Orientar as empresas para os fins e não os meios como preconizado pelo modelo de gestão burocrático.

Esse novo modelo foi denominado por Ansoff de Administração Estratégica ou Gestão Estratégica.

A proposta desse modelo de gestão é a de desenvolver aptidões para que as empresas tenham condições de antecipar as mudanças, internalizá-las, compreendê-las bem como prepara-las para uma rápida adequação a essas transformações.

Se eu tivesse que resumir a gestão estratégica em uma única palavra escolheria a palavra FLEXIBILIDADE. Isso mesmo! Flexibilidade e perspicácia para antecipar às mudanças de tal forma que se tenha tempo hábil de adequar à empresa a nova realidade, de preferência mais rapidamente do que os melhores concorrentes. Flexibilidade para receber e aceitar as mudanças como necessárias e benéficas.

O conceito da gestão estratégica pode ser mais bem observado na Figura 1.

Portanto a gestão estratégica é o modelo de gestão que objetiva manter a empresa como um conjunto adequadamente integrado a seu ambiente numa relação de equilíbrio dinâmico. Em outras palavras manter a empresa em harmonia com o ambiente mesmo com todas as transformações já que quando esse equilíbrio é rompido à empresa passa a enfrentar  dificuldades. O recente episódio envolvendo frigoríficos no Brasil ilustra bem as consequencias do rompimento desse equilíbrio. Através da adoção do modelo de gestão estratégica a empresa antecipa as mudanças ambientais e se transforma como ilustrado na Figura 1.

A administração estratégica é, portanto, um desafio constante para os gerentes. Os ambientes com suas mudanças demandam agilidade e assertividade para antecipar as mudanças. A agilidade em aceitar e operar as transformações determinará o sucesso ou fracasso de uma empresa. Não se trata apenas de se identificar objetivos. A análise dos ambientes, das forças e fraquezas, das ameaças e oportunidades a partir da visão de futuro, considerando todas as partes interessadas, outras empresas, clientes, fornecedores, funcionários, credores e comunidades, faz da adoção da gestão estratégica uma tarefa ainda mais desafiadora. São muitos atores envolvidos cada um com suas demandas.

Espero que tenham ficados claros os antecedentes e o conceito de gestão estratégica.

Essa semana nos preocupamos mais em apresentar o conceito. Na próxima semana vamos detalhar mais o processo da gestão estratégica percorrendo cada uma de suas principais etapas.

Até!

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