Arquitetura organizacional: a empresa flexível

Diante do ambiente competitivo que se transforma e impõe novos desafios e da consequente adoção de modelos de gestão inovadores e mais sofisticados, desde o final do século passado as empresas vem buscando alternativas para dividir e organizar o trabalho. É o que chamamos aqui de arquitetura organizacional.

O modelo estrutural-funcional, aquele que você conhece muito bem, representado pelo organograma e que prevaleceu durante quase todo o século passado e foi à base para a estruturação das grandes corporações, não atende mais as necessidades das empresas que buscam ser ágeis e flexíveis.

A constatação da obsolescência do modelo estrutural-funcional fica muito bem evidenciada num anúncio publicado por uma grande companhia, há alguns anos, em revistas semanais com a manchete “ideias não respeitam organograma”.

dg30

Na verdade o anúncio não prega nenhuma subversão na hierarquia e na disciplina é apenas uma provocação a reflexão ao constatar que um modelo funcional rígido, com muitos níveis hierárquicos, torna a empresa engessada e com isso acaba por inibir que boas ideias surjam e se desenvolvam. Em outras palavras as empresas começam a perceber que quanto mais horizontal a estrutura, portanto com menos níveis hierárquicos, melhor se torna o processo decisório e a implantação de mudanças.

Surge a partir daí a ideia de organização flexível ou empresa flexível.

Mas o que seria essa tal “organização flexível”?

Os professores Tachizawa e Scaico no livro Organização flexível: qualidade na gestão por processos nos dão uma pista. Para eles organização flexível é uma forma organizacional que propõe a identificação e segregação dos processos produtivos dos processos de apoio, e, para os primeiros, a identificação dos que são realmente estratégicos. Ou seja, tecnologias inovadoras, a gestão por projetos e por processos, que nos levam à reconfiguração de sistemas de informação e processos de downsizing organizacional, são formas de otimizar a produtividade e a eficiência empresarial.

Eu sinceramente quando penso em uma empresa flexível prefiro recorrer à obra Imagens da Organização do Morgan que nos ensina a refletir sobre a limitação da visão com relação à imagem que temos da organização, para tanto, o autor utiliza-se de diversas metáforas, analogias, que são representadas por paradigmas que embutem uma visão de mundo de uma perspectiva de ações pertencentes ao sistema social.

Segundo o autor visualizar a organização por meio de metáforas torna possível o entendimento do funcionamento das mesmas, contribuindo para o surgimento de novas idéias para a teoria organizacional.

Não vou dizer que o livro do Morgan é uma leitura trivial porque não é, mas recomendo fortemente.

O conjunto de metáforas nos auxilia a perceber que existem situações importantes que até o momento não são plenamente reconhecidas e internalizadas nas empresas. Para Morgan o valor da metáfora não está no conteúdo, mas sim no processo capaz de desenvolver modelos adequados para uma compreensão mais abrangente das empresas.

De acordo com ele as principais metáforas veem as organizações como: máquina, organismos, cérebros, culturas, sistemas políticos, prisões psíquicas, fluxo e transformação e instrumentos de dominação.

A metáfora de organizações como cérebro, que entendo que melhor ilustra a empresa flexível, mostra que é possível divulgar e realizar capacidades parecidas ao cérebro nos aspectos gerais das organizações, abrangendo inclusive teorias e trabalhos livres e flexíveis, fazendo parte do processo o processamento e análise de informações para a tomada de decisão.

No passado a analogia mais utilizada ao se referir a uma empresa que funcionava bem era uma máquina ou um relógio. No futuro as empresas que servirão de modelo serão aquelas que funcionarem de forma mais parecida com o cérebro humano.

Imagino que depois de ler essa reflexão inicial você deve estar se perguntando: mas como seria isso? Como deve ser o desenho de uma empresa flexível?

No próximo DICAS DE GESTÃO vamos apresentar a proposta de Mintzberg que ele chamou de “organização em cinco partes”.

Até a próxima semana!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s