Agilidade estratégica: os três horizontes para o crescimento

No Dicas de Gestão de hoje voltamos ao tema da agilidade estratégica já abordado anteriormente no artigo Estratégia ágil: em busca da agilidade estratégica, publicado em março de 2020.

Agilidade estratégica pode ser explicada de maneira simples como sendo a capacidade das empresas de vislumbrarem mudanças no negócio, bem como no ambiente de negócios em que operam. A agilidade estratégica consiste na habilidade de se manter competitivo, identificando e explorando  as oportunidades, bem como identificando ameaças potenciais e mitigando ou impedindo que elas se concretizem. O desenvolvimento da agilidade estratégica dá aos líderes competência para reconhecer as mudanças do ambiente e do mercado, que podem ser positivas ou negativas para os negócios e  agir rapidamente considerando novas ideias. A agilidade estratégica é definida como “a capacidade de permanecer flexível para enfrentar novos desenvolvimentos, ajustar continuamente a direção estratégica da empresa e desenvolver maneiras inovadoras de criar valor” (Weber e Tarba, 2014).

Em outras palavras a agilidade estratégica está relacionada à capacidade de uma empresa de responder de forma rápida e eficiente no sentido de impulsionar mudanças, mantendo a flexibilidade e o foco. É uma tarefa desafiadora e demanda perspicácia e muito trabalho e esforço por parte da empresa e seus líderes para assegurá-la. A mudança contínua na dinâmica dos mercados e das novas tecnologias têm direcionado parte dos esforços estratégicos das empresas na direção da diversificação, explorando novas oportunidades além do core business.

No livro The Alchemy of Growth, publicado em 1999, Mehrdad Baghai, Stephen Coley e David White, apresentam um olhar sobre a agilidade estratégica a partir do Modelo dos Três Horizontes. Na publicação os autores descrevem as abordagens que, segundo eles, conseguiram ajudar seus clientes corporativos em todo o mundo a acelerar o ritmo. As empresas devem focar simultaneamente em “três horizontes” críticos para o crescimento. O primeiro é o atual negócio da empresa, core business; o segundo, os negócios emergentes, promissores e de rápido desenvolvimento; e o terceiro, as ideias que irão assegurar os resultados futuros, ou seja, novos negócios.

O Modelo dos Três Horizontes de Crescimento propõe a divisão das iniciativas de expansão dos negócios em 3 categorias, chamadas horizontes. Os horizontes podem ser descritos em um plano cartesiano, como na Figura 1. No eixo horizontal apresenta-se a dimensão do tempo necessário para a execução das iniciativas, considerando o curto, médio e longo prazo; no eixo vertical tem-se o potencial valor de retorno para a empresa.

Os três horizontes podem ser melhor explicados da seguinte forma:

Horizonte 1 – Preservar e proteger o core business – Atividades voltadas ao core business e à proposta de valor atual da empresa, com expectativa de resultados no curto prazo. Ideias que geram inovação contínua do modelo de negócios atual da empresa e dos recursos principais no curto prazo.

Horizonte 2 – Desenvolver negócios emergentes – Exploração de oportunidades emergentes, ampliando o modelo de negócio e utilizando competências da empresa para penetrar em novos mercados, gerando resultados a médio prazo. Ideias que ampliam o modelo de negócios existente e os recursos principais de uma empresa para novos clientes.

Horizonte 3 – Desenvolver novos negócios – Desenvolvimento de novas competências e estratégias de negócio com o objetivo de gerar inovações disruptivas com expectativa de rentabilidade a longo prazo. É o desenvolvimento de novos recursos e novos negócios para explorar as oportunidades disruptivas.

Steve Blank no artigo McKinsey’s Three Horizons Model Defined Innovation for Years. Here’s Why It No Longer Applies publicado na Harvard Business Review em fevereiro de 2019, discute o tema e chama atenção para o fato de que as empresas que se estruturam para explorar os Horizontes 2 e 3 apenas no médio e longo prazo podem ser impactadas já que certamente haverá players na cadeia, insurgentes ou incubentes se capacitando em tecnologias exponenciais e bons modelos de negócio. Cada horizonte requer foco, gestão, ferramentas e objetivos diferentes. A McKinsey sugeriu que, para permanecer competitiva no longo prazo, uma empresa deve alocar seus recursos de pesquisa e desenvolvimento em todos os três horizontes.

O modelo dos Três Horizontes continua sendo muito útil como uma orientação na priorização de iniciativas de inovação. A armadilha do modelo de Três Horizontes é não reconhecer que nos dias de hoje muitas disrupções podem ser implementadas muito rapidamente redirecionando as tecnologias existentes do Horizonte 1 em novos modelos de negócios — e que a velocidade de implantação é disruptiva e assimétrica por si só (Blank, 2019).

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