Reshoring: relocando a produção

Você já ouviu a expressão Reshoring?

Historicamente, as decisões de localização de plantas de fabricação sempre foram determinadas  por custos, incluindo mão de obra e logística, que continuam a subir nos países em desenvolvimento nos últimos anos. Isso levou muitas empresas a repensarem a localização de suas fábricas pelo mundo. Esse movimento já havia se iniciado antes mesmo da pandemia de Covid mas foi acelerado por ela.

Motivadas por taxas de fretes mais elevadas, fornecedores inflexíveis, fuso horário ou problemas de comunicação/idioma, o retorno das empresas para seus territórios de origem causa um impacto importante nas cadeias produtivas globais.

Empresas como a Decathlon (rede de lojas de artigos esportivos espalhada por toda a Europa e com lojas no Brasil), o Accell Group dono entre outras das marcas Diamondback, Raleigh e Redline e mais alguns peso pesados da indústria de bicicletas europeias estão adotando o reshoring e com isso reduzindo significativamente os prazos de entrega.

Mas afinal, o que significa Reshoring?

Inicialmente pode-se dizer que reshoring, que chamaremos nesse artigo também de relocação é o oposto de offshoring. Refere-se a estratégia adotada por algumas empresas que estão trazendo a fabricação “de volta para casa”, ou seja, devolvendo-a ao país de origem.

Em outras palavras, se uma empresa transferiu algumas ou todas as suas operações de produção para o exterior (offshoring) para reduzir os custos de fabricação, o reshoring é o processo de trazer algumas ou todas essas operações de volta. Reshoring pode ser chamado também de backshoring ou inshoring. O termo reshoring, portanto, é utilizado para explicar esse movimento de devolução da fabricação de produtos de um país estrangeiro de volta ao país de origem de onde os produtos da empresa são comercializados.

Embora o offshoring geralmente reduza os custos de uma empresa, vários fatores podem tornar a relocação interessante em algumas situações particulares. Entre elas:

– Instabilidade do comércio global — a situação geopolítica mudou drasticamente nos últimos anos  com a China assumindo um papel de liderança mundial, o Brexit e mais recentemente a guerra da Ucrânia. Isso tornou as operações no exterior muito mais arriscadas e complexas.

– Gerenciamento da cadeia de suprimentos — relocação significa trazer a maioria dos links da cadeia de suprimentos para o mesmo fuso horário, facilitando o gerenciamento.

– Custos crescentes em países em desenvolvimento — a medida em que os países ao redor do mundo, particularmente na Ásia, se desenvolvem, os custos trabalhistas aumentam e os custos de distribuição se tornam em alguns casos proibitivos. Para algumas empresas, a diferença de custo entre operar onshore ou offshore é pouco significativo, com essa diferença diminuindo a cada dia.

– Maior proteção do capital intelectual — os ativos intelectuais, cujo principal componente é o conhecimento, são fundamentais para um bom desempenho competitivo da empresa.

– Fatores regulatórios — a conformidade com padrões, questões de controle de qualidade e o risco de perda de direitos intelectuais ao operar no exterior podem criar problemas adicionais para as empresas. A relocação contribui para colocar todas as operações sob um mesmo conjunto de regras.

– Mitigação de riscos — a relocação pode auxiliar a proteger as cadeias de suprimentos da inevitabilidade de crises graves que podem resultar em atrasos significativos na produção.

– Redução do tempo de produção e lançamento de novos produtos — agilidade no atendimento  as demandas dos clientes e no desenvolvimento de novos produtos são considerados fatores competitivos relevantes sobretudo em alguns segmentos.

– Impulsionamento da economia nacional — a relocação traz postos de trabalho, ativos e recursos de volta à nação original. Isso ajuda a aumentar o PIB e fortalecer a economia nacional.

Uma das principais desvantagens do reshoring é o elevado custo envolvido na movimentação das operações de fabricação de um país para outro. Para empresas de médio e grande porte, essa é uma tarefa que exige planejamento e gestão logística cuidadosa. Se a transição não for executada com cuidado, o custo inicial da relocação pode superar quaisquer eventuais benefícios. Se os insumos e recursos necessários para a produção puderem ser adquiridos localmente, a relocação pode estimular a economia doméstica. Por outro lado, se os materiais e recursos precisarem ser adquiridos no exterior, isso pode resultar em um efeito líquido negativo em ambas as economias.

Portanto se torna necessário a realização de um estudo detalhado antes da tomada da decisão de reshoring.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s