Ambidestria estratégica para ambientes complexos

As empresas vem enfrentando uma aparente contradição do ponto de vista estratégico. Precisam manter o negócio rentável e ao mesmo tempo prepará-lo para o futuro.  De um lado, a austeridade e a competição intensa as induz a cortar custos e aumentar a eficiência. De outro o ritmo crescente da mudança indica que precisam inovar.

Como conciliar corte de custos e eficiência com inovação?

A resposta é a ambidestria estratégica.

O termo ambidestria surge aplicado a gestão em junho de 2004 com a publicação do artigo Building Ambidexterity into an Organization de Birkinshaw e Gibson na MIT Sloan Management Review.

Ambidestria organizacional pode ser entendida como sendo a capacidade da empresa buscar novos caminhos sem deixar de explorar adequadamente os atuais. As empresas precisam de ambidestria para operar em diversos ambientes que exigem diferentes modelos de gestão simultaneamente, ou em ambientes dinâmicos que demandam a transição entre estilos ao longo do tempo. Implica em desenvolver estruturas separadas para diferentes tipos de atividades, as que cuidam do presente e as que projetam o futuro. As empresas precisam ser ambidestras ao operar em mercados emergentes e desenvolvidos, ao desenvolver novos produtos e tecnologias para comercializar enquanto explora as existentes, ao integrar startups em seus negócios atuais e em um conjunto de outras circunstâncias.

Já a ambidestria estratégica, strategic ambidexterity, seria a capacidade repensar a estratégia e de aplicar abordagens múltiplas à estratégia de forma simultânea e sucessiva, uma vez que muitas empresas operam em mais de um ambiente ao mesmo tempo. A ambidestria estratégica é uma abordagem que recomenda utilizar as abordagens da estratégia em alinhamento umas com as outras.

As quatro abordagens para a ambidestria, ilustradas na Figura 1, são: separação, troca, auto-organização e ecossistêmica – que por sua vez são função do grau de diversidade e dinamismo do ambiente.

A maioria das grandes empresas opera em vários ambientes que se transformam rapidamente ao longo do tempo – abrangendo muitos mercados e categorias de produtos cada vez mais diversas – e que são suportados por uma ampla gama de funções. Essa diversidade requer que as empresas adotem a ambidestria estratégica, porque nenhuma abordagem única da estratégia pode ser aplicada por uma grande empresa de forma plena o tempo todo.

A abordagem adequada para a ambidestria organizacional e estratégica depende de quantos ambientes diferentes a empresa enfrenta (diversidade) e com que frequência esses ambientes se transformam (dinamismo).

Uma abordagem de separação significa que diferentes abordagens de estratégia são gerenciadas de cima para baixo e executadas independentemente umas das outras em diferentes unidades ou mercados. As empresas que aplicam uma abordagem de separação gerenciam um pool comum de recursos que alternam entre as abordagens da estratégia.

Já a abordagem da troca requer recursos e informações fluindo através das fronteiras empresariais. Isso pode ser desafiador porque quando a alta direção toma a decisão de mudar de estilo algumas empresas respondem lentamente, surgem conflitos de recursos entre as unidades e a equipe resiste à mudança, temendo as consequências de alternar para um novo projeto que pode não ter êxito. As startups são particularmente hábeis em fazer mudanças todavia isso não significa que uma cultura semelhante não possa existir em uma grande corporação.

Auto-organização significa que cada unidade escolhe a melhor abordagem para a estratégia. Uma abordagem de auto-organização apresenta algumas desvantagens na medida em que a empresa incorre em custos significativos de duplicação, a falta de escala das unidades individuais e os custos adicionais para cumprir as regras locais. Portanto, essa abordagem só é adequada em ambientes altamente diversificados e dinâmicos.

Finalmente em uma abordagem ecossistêmica as empresas buscam diferentes abordagens para a estratégia externamente por meio de participantes que se especializam na abordagem necessária.

A necessidade de desenvolver a ambidestria é amplamente reconhecida pelos gestores é o que evidencia uma pesquisa realizada pelo Boston Consulting Group com 130 executivos seniores de grandes empresas públicas e privadas. O levantamento apontou que 90% dos entrevistados concordaram que ser capaz de gerenciar vários estilos de estratégia e a transição entre esses estilos é uma competência importante a ser desenvolvida.

Outro levantamento realizado pelo BCG sobre o desempenho financeiro de aproximadamente 2.000 empresas norte-americanas identificou que apenas cerca de 2 por cento delas superou consistentemente o desempenho do seu setor em períodos turbulentos e estáveis.

Concluindo pode-se constatar que a crescente importância econômica dos mercados emergentes está expandindo a gama de ambientes no quais as empresas precisam atuar. Ao mesmo tempo, a transformação tecnológica está alterando produtos e modelos de negócios existentes em um ritmo cada vez maior. Com isso a ambidestria estratégica está se tornando um ativo cada vez mais crítico à medida que a diversidade e o dinamismo dos ambientes de negócios aumentam.

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