O Modelo Diamante e a vantagem competitiva das nações

Estudo recente publicado no Anuário de Competitividade Mundial 2019 (World Competitiveness Yearbook) realizado pelo IMD da Suíça em parceria com a Fundação Dom Cabral, que analisou a competitividade de 63 países, colocou o Brasil na 59 ͣ posição.

Segundo o estudo, se por um lado uma melhora nos investimentos estrangeiros diretos que aumentaram de USD 70,33 bilhões em 2017 para USD 88 bilhões em 2018, a simplificação dos marcos regulatórios, a exportação de serviços e a formação bruta de capital fixo favoreceram o Brasil no ranking, por outro o elevado nível de desemprego impactou negativamente o desempenho do País.

A questão da competitividade e da vantagem comparativa das nações já vem sendo estudada por diversos autores desde o século XIX e por Porter desde a década de 80 do século XX. No artigo The Competitive Advantage of Nations, publicado na Harvard Business Review de março/abril de 1990, Michael Porter apresenta o que ele chamou de Diamond of National Advantage.

Esse Modelo nos auxilia a compreender, ao menos em parte, por que apesar do Brasil de ter tido um desempenho econômico significativo na primeira década deste século, de ter crescido 7,5% em 2010 e se tornado a sexta maior economia do mundo em 2011, superando o Reino Unido, não consegue se consolidar como um país competitivo.

A análise de Porter sobre a vantagem competitiva das nações se baseia em quatro atributos que, segundo ele, propiciam um ambiente favorável para as empresas se desenvolverem. Esses atributos são: estratégia, estrutura e rivalidade entre as empresas; condições de fatores, condições de demanda e indústrias correlatas e de apoio conforme ilustrado na Figura 1.

O atributo Estratégia, Estrutura e Rivalidade entre as Empresas reúne as condições que determinam, no país, a forma pela qual as empresas são estabelecidas, estruturadas e dirigidas. Dessa maneira, aos países obtêm sucesso em determinados setores porque o ambiente nacional pressiona as empresas para que desenvolvam e ampliem suas vantagens.

O atributo Condições de Fatores contempla a posição do país em relação aos fatores de produção como infraestrutura e especialização do trabalho, fundamentais a competição em determinado setor.

O atributo Condições de Demanda considera a natureza da demanda interna para os produtos e serviços das empresas. Consumidores mais exigentes exercem naturalmente uma pressão para que as empresas melhorem a sua capacidade de competir por meio da inovação e excelência nos produtos e serviços.

Finalmente o atributo Indústrias Correlatas e de Apoio aborda a existência no país de indústrias abastecedoras e indústrias correlatas que sejam globalmente competitivas. A proximidade entre essas indústrias possibilita o compartilhamento de informações e o intercâmbio de experiências.

Esse conjunto de atributos combinados configuram um ambiente propicio para que as empresas de um país se desenvolvam. Por outro lado, a existência de lacunas importantes nesses atributos dificulta esse desenvolvimento.

Isso ajuda a explicar, ao menos em parte, a dificuldade do Brasil em se consolidar como uma nação competitiva.

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