A reengenharia revisitada

Em 1993 Michael Hammer e James Champy lançaram o livro Reengineering the corporation, a manifesto for Business Revolution pela editora Harper Collins Publishers traduzido e lançado no Brasil, no ano seguinte, pela Editora Campus com o título de Reengenharia: revolucionando a empresa em função dos clientes, da concorrência e das grandes mudanças da gerência.

A ideia central do livro é de que as empresas precisam empreender uma reinvenção radical na maneira como realizam o seu trabalho.

A proposta apresentada foi decorrência da análise, pelos autores, da experiência de diversas empresas e que resultou na identificação de padrões de ação que levam ao êxito. Esse conjunto de procedimentos recomendados pelos autores recebeu o nome de Reengenharia Empresarial.

A Reengenharia pode ser entendida como o repensar fundamental e o redesenho radical dos processos de negócios para gerar melhorias drásticas em medidas de desempenho críticas – como custo, qualidade, serviço e velocidade.

O conceito de Reengenharia pode ser melhor entendido a partir da Figura 1.

Rapidamente surgiram no Brasil diversos “especialistas” prontos a implementar a reengenharia nas empresas brasileiras ainda que não houvessem compreendido adequadamente as propostas apresentadas pelos autores.

O resultado não poderia ser outro. A adoção da reengenharia nas empresas brasileiras acabou se mostrando um fracasso retumbante e ainda por cima acabou provocando uma verdadeira anorexia corporativa. Muitos confundiram reengenharia com downsizing que é uma reestruturação administrativa, com o intuito de potencializar as atividades de determinada organização, eliminando processos burocráticos e níveis hierárquicas desnecessários na empresa.

Simplesmente reduzir níveis hierárquicos e eliminar processos sem repensar a maneira como o trabalho é realizado não poderia levar a um bom resultado.

Dentro de uma perspectiva mais abrangente. Pode-se definir a Reengenharia como a busca de uma nova forma de realizar um trabalho, processo, a partir de uma nova realidade tecnológica, para obter a performance “máxima” pelo uso da nova tecnologia da informação. Dessa forma, a Reengenharia pode ser entendida como algo cíclico, que se repete de tempos em tempos na história.

A Reengenharia é muito mais do que uma nova abordagem para o redesign de processos, como muitos acreditaram e ainda acreditam. Quando Hammer propôs o conceito da Reengenharia no artigo “Reengenharia: não automatize, destrua”, fez questão de esclarecer sobre algumas das mudanças aparentemente caóticas que estavam ocorrendo no mundo corporativo. Para Hammer, a justificativa para a Reengenharia é que a tecnologia da informação disponível requer uma nova forma de estrutura, ou organização, para poder gerar resultados de forma plena e que, certamente, muito diferente das estruturas organizacionais utilizadas pelas empresas antes do advento das novas tecnologias da informação.

Segundo Hammer e Champy a reengenharia empresarial não envolve consertar nada. A reengenharia empresarial significa começar do zero pondo de lado o legado de dois séculos de gestão industrial. Significa esquecer como as atividades foram realizadas por muito tempo substituindo por novas formas de organização e realização do trabalho nas empresas.

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