Analisando a capabilidade e a performance de processos

No DICAS DE GESTÃO “Os processos que você gerencia tem capabilidade?” apresentamos o conceito de Capabilidade (Capacidade) de Processos e mencionamos que para avaliar a capacidade e a performance de um processo devem ser observados os índices de capacidade do processo Cp e Cpk e os índices de performance do processo Pp e Ppk.

Vamos falar um pouco mais sobre cada um desses índices de capabilidade/performance sem, no entanto, entrar nas fórmulas já que existem softwares especializados que já fornecem esses índices já calculados a partir de informações do processo bastando tão somente interpretá-los.

Para o desenvolvimento de um estudo de capabilidade, o processo deve estar sob controle estatístico. Nessa condição, diz-se que o processo é estável e sua variação ocorre, somente, devido a causas aleatórias, portanto, inerentes ao processo. A capabilidade do processo pode dessa forma ser analisada. Essa analise está relacionada a taxa de rejeição de produtos que não atendem as especificações. Para que o processo seja considerado capaz, isto é, que produza com a qualidade desejada, os limites da variação natural do processo devem estar inseridos, ou pelo menos coincidir com os limites de especificação: limite superior de especificação, LSE, e limite inferior de especificação, LIE, também chamados de LSC, limite superior de controle e LIC, limite inferior de controle.

É importante ter em mente que a capacidade de um processo quanto ao atendimento das especificações, deve ser uma condição permanente ao longo do tempo de operação do mesmo. Por isso é fundamental que antes de se tirar conclusões sobre o processo observe até que ponto o processo tem seu comportamento representado pela distribuição normal.

Quando se elabora um estudo de capabilidade de processo, por exemplo no software estatístico Minitab, esses quatro índices, Cp, Cpk, Pp e Ppk, já mencionados, são gerados a partir da “alimentação” do software com informações do processo

O Cp, Índice de Capacidade Potencial, pode ser entendido como a taxa de tolerância à variação do processo. Não leva em conta a centralização do processo e não é sensível aos deslocamentos (causas especiais) dos dados.

Quanto maior o índice, menos provável que o processo esteja fora das especificações. Um processo com uma curva estreita (um Cp elevado) pode não estar de acordo com as necessidades do cliente se não for centrado dentro das especificações.

O Cpk, Índice de Capacidade Relativo à Localização, considera a centralização do processo (µ), sendo determinado pelo quociente da menor distância entre a média do processo e um dos limites de tolerância (o mais próximo) e a metade da faixa de variação natural do processo (3s). Portanto o Cpk avalia a distância da média do processo com a especificação mais próxima dela.

A interpretação dos resultados do Cp e Cpk depende de o processo estar sob ou fora de controle estatístico.

Se o processo está sob controle, o Cp e o Cpk representam a capacidade real do processo – como se comportou no passado e o que pode se esperar dele no futuro. Se o processo é imprevisível – ou fora de controle – o Cp e Cpk não são representativos.

Agora vamos ver analisar os índices de performance.

O Pp é uma medida da performance global do processo. Pp é uma razão que compara dois valores:

  • a dispersão da especificação (LIE – LSE);
  • a dispersão unilateral do processo (a variação 6-σ) com base no desvio padrão global.

Pp avalia, portanto, a capacidade global com base na variação no processo, mas não em sua centralização.

Você deve fornecer um limite inferior de especificação (LIE) e um limite superior de especificação (LSE) para calcular o índice Pp.

Finalmente o Ppk é uma medida da capacidade global do processo considerando a sua centralização. Ppk é, portanto, uma razão que compara dois valores:

  • a distância da média do processo para o limite especificação mais próximo (LIE ou LSE);
  • a dispersão unilateral do processo (a variação 3-σ) com base em sua variação global.

O Ppk avalia a centralização e a variação global do processo.

Na Figura 1 pode-se observar um resumo das principais informações que o Cp, Cpk, Pp e Ppk nos transmitem (desempenho de curto e longo prazo) e se contemplam ou não a centralização do processo.

Gostou do tema?

Caso você deseje se aprofundar no assunto e verificar as fórmulas matemáticas para calcular os índices recomendo a leitura do livro:

Montgomery, Douglas C. Introdução ao controle estatístico da qualidade, tradução Ana Maria Lima de Farias, Vera Regina Lima de Farias e Flores; revisão técnica Luiz da Costa Laurencel. – 4 ͣed., reimp. – Rio de janeiro: LTC, 2009.

Uma ótima semana!

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