Competência essencial: criando os mercados de amanhã

Na área da Estratégia um dos autores que mais admiro é o C. K. Prahalad.

Estive presente nas palestras que ele proferiu em São Paulo e guardo com muito carinho um exemplar do livro Competindo pelo Futuro escrito em parceria com o Gary Hamel autografado.

Lamentavelmente o Prahalad faleceu prematuramente em 2010, aos 68 anos, quando ainda tinha muitas contribuições a dar ao estudo da estratégia.

Prahalad junto com Gary Hamel, um de seus principais parceiros, escreveu em 1990 o célebre artigo The Core Competence of the Corporation, onde propôs o conceito de “competências essenciais”. Entre inúmeras ideias geniais Prahalad alertou as empresas para a força do consumidor de baixa renda.

A parceria com Hamel permitiu a publicação, em 1994, do livro Competindo pelo Futuro, no qual reforçaram a perspectiva promissora de desenvolvimento. Segundo os autores “nos negócios, como na arte, o que distingue os líderes dos retardatários é a capacidade de imaginar com originalidade o que é possível”.

Vou dedicar este DG a discorrer um pouco sobre este importante conceito que é o de Core Competence, ou Competência Essencial.

Anteriormente, em outubro de 2017, já havia abordado outro importante conceito de Prahalad e Hamel ao abordar a intenção estratégica no artigo “Ressignificando o propósito essencial da organização a partir da intenção estratégica”.

Recomendo a leitura!

Voltando ao tema da competência essencial, ela nada mais é do que aquilo que você faz que ninguém mais faz igual. É um diferencial extremamente positivo que coloca você e a sua empresa muito à frente no mercado e diante dos concorrentes, seja enquanto profissional ou organização. O modelo de competência essencial concentra-se em uma combinação de conhecimentos, habilidades e atitudes específicos, colaborativos, integrados e aplicados.

As competências essenciais são, portanto, um conjunto de capacidades profundamente enraizadas e que estão por trás de negócios e produtos/serviços de uma empresa. São decorrentes do aprendizado coletivo da empresa particularmente de como integrar e coordenar aptidões e tecnologias.

Para Prahalad competência essencial não é infraestrutura. Possuir um sistema de distribuição com alcance nacional não é nenhuma competência essencial; significa apenas que você tem uma infraestrutura logística com capilaridade. Competência essencial também não é apenas dominar uma tecnologia. O fato de uma empresa ser muito competente em projetar microprocessadores não implica necessariamente em uma competência essencial. Geralmente as empresas confundem competência essencial com tecnologia ou infraestrutura. Outro problema é que as empresas misturam competência essencial com capacidade ou aptidão.

Prahalad recomenda três testes para saber se aquilo que pensamos ser competência essencial realmente é. O primeiro teste é saber se o que pensamos ser é de fato um conjunto único de habilidades que inclui um componente tecnológico e um componente de aprendizagem e se esse conjunto está disseminado pelas unidades de negócios da empresa. Portanto é importante ter um conjunto de habilidades, mas também que estas habilidades estejam disseminadas na empresa. O segundo é verificar se outras empresas têm dificuldade de imitar. Algo que pode ser facilmente copiado não se sustenta como competência essencial. O terceiro teste é avaliar se essa competência cria – e se pode ser utilizado em – novas oportunidades de negócios. Se a resposta for afirmativa a estas questões é sinal de que estamos diante de uma competência essencial.

Recapitulando você deve responder as seguintes perguntas para descobrir se o que você acredita é de fato uma competência essencial.

  • A competência que a empresa possui é um conjunto único de habilidades que inclui um componente tecnológico e um componente de aprendizagem?
  • Esse conjunto está disseminado nas múltiplas unidades de negócios?
  • Outras empresas têm dificuldade em copiar?
  • Essa(s) competência(s) que a empresa possui cria(m) novas oportunidades de negócios?

Se a resposta a estas questões for afirmativa você está diante de uma competência essencial.

Organizar-se em torno de competências essenciais demanda uma transformação profunda na maneira como a empresa se estrutura. Esta transformação deve ser desenvolvida em três principais etapas. A primeira etapa requer a identificação de competências essenciais, que contemples três requisitos: elas fornecem acesso potencial a uma ampla variedade de mercados, contribuem para os benefícios do produto para o cliente e são difíceis de copiar pela concorrência. A segunda é redesenhar a arquitetura da empresa (sua estrutura organizacional) e estabelecer condiçoes para aprender com parcerias e um foco especial para o desenvolvimento interno. A gerência deve perguntar: por quanto tempo poderíamos preservar nossa competitividade se não controlássemos essa competência essencial? Finalmente a última etapa é avaliar o quão central é essa competência essencial para a satisfação e que oportunidades seriam perdidas se deixassemos de ter esta competência.Portanto pode-se concluir que, como afirmam Prahalad e Hamel, a competência essencial não é algo natural em grande parte das empresas. Mais do que focar produtos e serviços é fundamental que as empresas foquem nas suas competências essenciais e passem a se perceber não apenas como um portfólio de negócios, produtos e serviços, mas sobretudo como um portfólio de competências. Dessa forma será possível conquistar e desenvolver competências essenciais.

A sua empresa tem uma competência essencial? Pense nisso!

Até a próxima DICA DE GESTÃO!

 

 

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