Desafios da governança em empresas familiares de capital fechado

Já que trataremos neste artigo das questões da governança nas empresas familiares vamos iniciar explicando o que vem a ser uma empresa familiar. Pode parecer um conceito relativamente simples e óbvio, mas não é bem assim.

Diversos aspectos precisam ser analisados para caracterizar um negócio e consequentemente uma empresa como sendo familiar.

Um negócio nas mãos de um membro da família não significa, necessariamente, que se trata de uma empresa familiar. Há 3 (três) dimensões principais que devem ser consideradas para caracterizar uma empresa como sendo familiar: propriedade/patrimônio, família e empresa/gestão.

A Figura 1 ilustra as três dimensões principais da empresa familiar chamados de três círculos da empresa familiar.

Na dimensão Propriedade ou Patrimônio, considera-se como característica de uma empresa familiar o controle do negócio por uma família, seja esse controle total ou parcial. Na dimensão Família, observa-se a sucessão de valores e cargos ao longo das diversas gerações. Na dimensão Empresa/Gestão, contempla-se a gestão exercida pelos integrantes da família, seja na execução direta ou apenas no gerenciamento de uma equipe de colaboradores.

A empresa familiar geralmente começa com a primeira geração de uma família e se consolida com a sucessão para a segunda geração.

Alguns estudiosos entendem que o critério objetivo na definição de uma empresa familiar é a relação entre propriedade e gestão, que ocorre devido ao fato dos membros da família exercerem o comando justamente por possuírem grande parcela da propriedade. Outros consideram a integração entre família e gestão, levando em consideração a influência dos valores e características da administração.

Para efeito deste artigo vamos considerar uma empresa familiar aquela em que uma família detém o controle de capital, nomeia a gestão e alguns integrantes da família trabalham na empresa geralmente ocupando cargos.

E o que vem a ser uma empresa familiar de capital fechado?

A empresa familiar de capital fechado é aquela cujo acesso de terceiros ao capital é restrito.

A governança é um tema que vem ganhando destaque nos últimos anos e, apesar de ser obrigatória somente para empresas de capital aberto, tem sido adotada por muitas empresas de capital fechado incluindo as familiares. Um dos grandes desafios das empresas familiares é separar os interesses pessoais dos sócios dos interesses da empresa, de modo a equilibrar e manter a perenidade do negócio, desta forma, muitas empresas familiares vem procurando utilizar princípios e boas práticas de governança.

Os problemas de governança na empresa familiar dizem respeito as questões que envolvem o processo de tomada de decisão da alta gestão, com o relacionamento e potenciais conflitos de interesse existentes entre os principais atores do sistema de governança corporativa. Nesse caso em particular, membros de uma mesma família.

A governança nas empresas familiares, como em qualquer empresa, deve se basear em 4 (quatro) princípios fundamentais: transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa.

As empresas familiares mais bem-sucedidas são aquelas que conseguem manter o equilíbrio entre a gestão profissional, a propriedade responsável e uma dinâmica familiar saudável a partir desses princípios fundamentais.

Trabalhando com empresas familiares há vários anos tenho observado alguns desafios principais que naturalmente embutem riscos, no que se refere a governança:

  • necessidade de atender aos interesses da família;
  • dicotomia entre objetivos da empresa e objetivos da família;
  • separação das questões das empresas das questões familiares;
  • sobreposição entre patrimônio da empresa e patrimônio da família;
  • uso de recursos da empresa para fins pessoais/individuais
  • entrincheiramento do fundador ou gestores para se manterem no poder
  • sobreposição de funções entre acionistas/cotistas e gestores;
  • falta de mecanismos formais de condução dos negócios;
  • tomada de decisão e avaliação das decisões muitas vezes ocorre em ambientes informais;
  • ausência de acordo formal de sócios
  • ausência de um conselho de família
  • adiamento dos planos de sucessão e;
  • escolha do sucessor;

A adesão da empresa familiar as boas práticas de governança corporativa, procurando mitigar os riscos mencionados, são especialmente delicadas, mas vencer os desafios, sem sombra de dúvida, facilita o acesso ao investimento e aumenta as chances de longevidade do negócio. Ao adotar a governança a empresa familiar passa mais credibilidade ao mercado e ao sistema financeiro, o que permite a obtenção de capital mais barato para seus projetos de investimento e expansão.

 

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