Desafios da geração Millennials na era da Indústria 4.0 – Parte 1

Como professor de Estratégia Empresarial e Engenharia de Produção/Industrial venho pesquisando os novos modelos de produção em particular o Lean e o que vem sendo chamado de Indústria 4.0 ou Manufatura Avançada, analisando as profundas transformações que estes novos modelos de produção provocam na sociedade, nas empresas e em suas estratégias competitivas e naturalmente nas pessoas.

Ao ler artigos sobre o tema frequentemente me deparo com alguns que abordam o perfil do profissional desejado pelas empresas na era da Indústria 4.0. Um aspecto em particular me chama atenção. Será que o perfil esperado dos profissionais pelas empresas é compatível com as características da chamada geração Millennials? Será que os valores e as competências da geração Millennials são compatíveis com os valores e competências desejados/valorizados pelas empresas na era da manufatura avançada?

Mesmo lidando com jovens desta geração diariamente e, naturalmente, ter uma percepção sobre eles resolvi recorrer a alguns estudiosos que pesquisam sobre os Millennials. Quem faz parte desse grupo e qual o seu perfil.

Mas antes de analisar um pouco mais detidamente os Millennials, o que faremos na parte 2 deste artigo na próxima semana, vamos começar falando um pouco sobre a Indústria 4.0 também chamada, como já dissemos, de Manufatura Avançada ou ainda Quarta Revolução Industrial.

A Indústria 4.0 é o paradigma industrial que está incorporando os mais recentes avanços tecnológicos no desenvolvimento das chamadas Fábricas Inteligentes, com processos de produção mais eficientes, autônomos e customizáveis por intermédio da utilização, dentre outros, da robótica, dos sistemas cyber-físicos (CPS), impressora 3D, realidade aumentada, internet das coisas (IoT), computação na nuvem, big data e internet dos serviços que são dispositivos inteligentes que coletam e transmitem continuamente informações de processos, objetos e até das pessoas, por meio das redes sociais, por exemplo.

A revolução industrial que estamos presenciando é mais veloz se comparada as anteriores e vem provocando mudanças importantes na forma como produzimos, distribuímos e consumimos. A quarta revolução industrial em curso se caracteriza fundamentalmente pela aceleração dos processos de inovação. Segundo Klaus Schwab no livro A quarta revolução industrial “estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes”.

Esta Revolução provoca na sociedade e na organização do trabalho alguns impactos significativos como por exemplo: alterações na forma de se comprar e consumir, redução drástica dos postos de trabalho, extinção de funções e invariavelmente exclusão social.

Segunda a pesquisa “O futuro do trabalho”, divulgada no Fórum Econômico Mundial de Davos, em 2016, estas transformações podem provocar uma redução de 7,1 milhões de postos de trabalho no mundo nos próximos cinco anos. Espera-se, no mesmo período, a criação de 2 milhões de empregos em outros segmentos. Mesmo assim teríamos uma redução no número de postos de trabalho da ordem de cerca de 5,1 milhões. Preocupante!

Outro dado interessante da pesquisa do Fórum Econômico Mundial é que 65% das crianças que hoje entram nas escolas já irão trabalhar em funções que atualmente ainda não existem. Como então capacitar crianças e adolescentes para funções ainda inexistentes? Os professores estão preparados?

Por outro lado, será necessária uma mudança no perfil da mão de obra atual que será afetada por estes cortes decorrentes da evolução tecnológica, da produtividade e da extinção de funções e do surgimento de outras. Estes trabalhadores precisam ser qualificados para novos desafios. Estarão eles preparados para absorverem a necessária reciclagem?

Por último o que particularmente mais me preocupa. Os trabalhadores menos qualificados estarão em situação de grande vulnerabilidade e correndo risco de exclusão social se não houver também mudanças no modelo econômico global.

Em meio a essa revolução tecnológica provocada pela Indústria 4.0 como ficam os profissionais jovens ou experientes que serão atores importantes deste processo? As empresas exigirão um colaborador diferente, mais versátil, ágil e conectado. Os profissionais da atual geração e os que estão entrando agora no mercado de trabalho precisarão naturalmente de um processo de desenvolvimento diferenciado e de adaptação.

Com o advento da manufatura avançada o chamado chão de fábrica vai necessitar se moldar. Os profissionais passarão a ter um papel estratégico, com necessidade de conhecimentos mais técnicos e especializados. O trabalho tende a ser muito mais flexível pois as pessoas terão que lidar com máquinas e sistemas inteligentes. O estudo Man and Machine in Industry 4.0: How Will Tecnology Transform the Industrial Workforce Through 2025, do Boston Consulting Group (BCG), prevê um incremento de 6% no número de empregos até 2025 na Alemanha, país em que o termo Indústria 4.0 foi cunhado. Neste crescimento, a tendência, de acordo com a pesquisa, é que aumente a demanda na área de tecnologia da informação, como profissionais de mecatrônica com habilidade em software.

Novas especializações surgirão nesse contexto. O trabalho com os dados, por exemplo, demandará profissionais capacitados para analisá-los. Da mesma maneira, o design terá de atuar no desenvolvimento de novas interfaces para a relação entre seres humanos e máquinas. O exoesqueleto recém incorporado na linha de montagem da FIAT no Brasil é um exemplo disso.

Especialistas mapearam ainda a possibilidade de surgimento de duas novas profissões ligadas à indústria digital: a de cientista de dados industriais, responsável por análises avançadas de dados, e a de coordenador de robótica, profissional que deverá interagir com os robôs no chão de fábrica.

Com a tecnologia praticamente tomando conta dos processos de manufatura, uma das exigências naturais que as empresas farão é justamente a flexibilidade do trabalhador para se adaptar ao meio. Isso significa que as pessoas deverão demonstrar habilidade para lidar com diferentes tecnologias e interesse no aprendizado constante em relação às novas funções que surgirão. Cotidianamente isso representará a necessidade de muito estudo e capacitação, ou seja, a formação continuada estará cada vez mais presente na vida do trabalhador. Os profissionais deverão aprender a aprender e buscar conhecimentos para compreender o novo momento para estarem aptos.

Em termos do trabalhador identifica-se ainda a necessidade de formação mais abrangente. A qualificação profissional, como mencionamos, será tema cada vez mais recorrente. No que diz respeito ao perfil os trabalhadores da Indústria 4.0 vão necessitar da formação multidisciplinar que os auxilie a compreender e trabalhar com uma grande variedade de tecnologias necessárias para a operação de empresas e de processos em fábricas inteligentes. Ou seja, não basta mais estar focado em uma única competência. Se hoje as empresas se desdobram em busca dos melhores colaboradores, a indústria 4.0 tornará essa procura mais intensa. A competição pelos talentos será mais acirrada acompanhando o avanço tecnológico.

Como ficam então os Millennials diante desses novos desafios?

Na próxima semana vamos dar prosseguimento a este artigo analisando, de forma mais detalhada, o perfil da geração Millennials considerando o perfil do profissional esperado pelas empresas na era da Indústria 4.0.

Até lá!

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