O desafio da produtividade

Tenho lido e assistido diversos debates sobre competitividade no Brasil. Toda vez que é divulgado um novo ranking sobre a posição competitiva do País especialistas das mais diversas áreas e com os mais diversos interesses fazem diagnósticos e apresentam “soluções” para o problema. Essas “soluções” vão desde a reforma da previdência, para engordar os cofres das empresas de previdência privada, até cortes de direitos trabalhistas e aumento na jornada de trabalho para até 12 horas diárias. Há um tempo houve até quem propusesse jornada semanal de 60 até 80 horas de trabalho.  Para os outros é claro!

Pouco se fala da baixa produtividade do trabalho no Brasil e de suas causas que vão desde o tempo gasto para se chegar ao local de trabalho, baixa escolaridade média do trabalhador no País, falta de treinamento, processos de trabalho inadequados, elevado nível de perdas na produção entre outros fatores.

A eficiência na produção é um desafio que vem sendo perseguido por empresas no mundo todo. Visando se tornarem mais competitivas, sobretudo as manufaturas, vem adotando diversas técnicas no sentido de melhorar a produtividade.

Estudo publicado pelo Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação Getúlio Vargas em artigo na Revista Exame evidencia que a produtividade brasileira vem caindo ano após ano. O indicador apurado pelo IBRE é a produtividade total dos fatores que mostra que o Brasil está produzindo menos com a mesma quantidade de fatores de produção considerados que são: fábricas, máquinas e imóveis dentre outros.

Um trabalho elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, IPEA mostra que a produtividade brasileira manteve-se, na média, estagnada nos últimos 30 anos. Na década de 80 ela diminuiu 1,35% ao ano. Na década seguinte continuou a cair a uma taxa de cerca de 1% ao ano.

Embora nos anos 2000 a produtividade tenha crescido a taxa de 0,9% ao ano, o resultado insuficiente para recuperar as perdas nas décadas anteriores.

Para ilustrar o que isso significa o trabalhador brasileiro gera cerca de um quinto da riqueza quando comparado ao norte-americano. Um trabalhador brasileiro gera perto de 22.000 dólares por ano de riqueza. O americano, cerca de 100.000 dólares. Quando se trata de analisar o desempenho alemão os números também fornecem informações importantes.

Nas duas últimas décadas a produtividade alcançada pelo trabalhador alemão aumentou cerca de 23%. Quando se considera a produção por hora trabalhada, o aumento chegou a 35% desempenho esse acima do obtido pelas demais economias europeias.

O Brasil vem incrementando a produtividade de sua economia em um ritmo quase duas vezes mais lento que os países asiáticos.

Um estudo desenvolvido pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) indica que a produtividade no Brasil cresceu, em média, 1,3% ao ano entre 1950 e 2009, colocando o País no 11.º lugar entre 100 países estudados. Nas primeiras posições ficaram Japão (2,5%), China (2,3%), Estados Unidos (1,9%), Espanha (1,7%) e Coreia do Sul (1,7%).

Países asiáticos conseguiram ganhos expressivos de produtividade. Na década de 60, a produtividade do Japão cresceu 5,8% ao ano. Nos anos 80, foi à vez da Coreia do Sul avançar 2,9% anualmente, e, na década de 90, a produtividade da China aumentou 4,7% ao ano.

Segundo ainda o IEDI, um ganho de 1,5% de produtividade é suficiente para um país desenvolvido manter a capacidade de expansão, mas não para uma nação emergente se tornar rica. Nesse caso o avanço teria que ser superior a 2% ao ano por cerca de vinte anos.

Mas horas de trabalho e resultado em termos de produção são coisas diferentes. Veja o exemplo da Alemanha. Entre os mais produtivos trabalhadores da Europa, os alemães enfrentam jornadas de, em média, 38 horas semanais de trabalho ante 44 horas dos brasileiros e desfrutam de 40 dias úteis de férias por ano, os brasileiros tem 30 dias de férias, o que os coloca entre os recordistas europeus em folgas. Mesmo assim os alemães são muito mais produtivos do que os brasileiros. Isso deixa claro que aumentar a jornada diária para 12 horas de trabalho, como sugerem alguns especialistas, definitivamente não é a solução para aumentar a produtividade. Apenas pode aumentar a incidência de acidentes de trabalho em função da fadiga.

A experiência mundial atesta que a produtividade para ser alcançada, além de uma boa infraestrutura no país em que estão instaladas e investimentos, demanda eficiência produtiva com mudanças em processos, modelos de produção, investimento em sistemas e tecnologia além e, sobretudo da motivação e qualificação da mão de obra.

Na indústria, onde o Brasil apresenta graves problemas, quase não conseguimos ser competitivos mesmo em períodos de dólar mais alto, modelos como o da manufatura enxuta, Lean, é uma resposta ao desafio de produzir mais e melhor. Compreender o estágio que alcançou nas empresas brasileiras ajuda a identificar os principais problemas na sua adoção bem como estabelecer novos caminhos no sentido de tornar as empresas brasileiras mais produtivas e consequentemente o País mais competitivo.

Mas como podemos conceituar produtividade?

Produtividade é o resultado daquilo que é produtivo, ou seja, do que se produz, do que é rentável.  É a relação entre os meios, recursos utilizados e a produção final. É o resultado da capacidade de produzir, de gerar um produto, fruto do trabalho, associado à técnica e ao capital empregado.

Produtividade é a expressão da eficiência de qualquer negócio. Para uma indústria, por exemplo, a produtividade está diretamente ligada à eficiência na produção.

Os indicadores da produtividade de uma empresa estão relacionados ao processo de produção para geração de produtos ou serviços. As falhas na produção, quando corrigidas em tempo evitam prejuízos na produtividade.

Mas o que pode ser feito para melhorar a produtividade do trabalho nas empresas?

Aqui vão algumas recomendações:

– Reveja os processos de trabalho

– Identifique oportunidades de melhoria e corrija falhas

– Melhore o fluxo de atividades e tarefas

– Automatize o que for possível

– Invista na formação do trabalhador

– Propicie um bom ambiente de trabalho incentivando a colaboração/cooperação

– Estimule e reconheça o desempenho superior

– Mantenha os canais de comunicação interna desobstruídos

– Interaja permanentemente com os clientes em busca de críticas e sugestões

– Repense estratégias e modelos de negócio

– Monitore o desempenho por meio de indicadores. Discuta metas e resultados

– Trabalhe a partir de planos de ação, cronogramas e acompanhe as ações.

– Reveja a arquitetura organizacional procurando deixa-la o mais horizontal possível.

Seguindo esses passos em pouco tempo você já vai perceber melhorias.

O como fazer para algumas dessas recomendações já foi abordado por mim, anteriormente, aqui no DICAS DE GESTÃO.

Depois não se esqueçam de me contar o que vocês fizeram e os resultados alcançados!

Sucesso para você e sua equipe!

Até o próximo DICAS DE GESTÃO!

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