A importância da gestão e do planejamento estratégico para cooperativas do agronegócio

É inquestionável a importância adquirida pelo agronegócio no Brasil, sobretudo, nos últimos anos.

O agronegócio se destacou na economia do país em 2015, com 23% de participação no Produto Interno Bruto (PIB) nacional, ante 21,4% em 2014, segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, CNA.

Mesmo diante do cenário desfavorável em 2016, nos primeiros cinco meses do ano o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro, estimado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da ESALQ/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), cresceu 1,79%, em comparação com o mesmo período de 2015. O bom desempenho ocorreu, sobretudo, devido ao comportamento da agricultura, que cresceu 0,37% em maio e 2,73% de janeiro a maio. Já a pecuária apresentou ligeira queda de 0,07% em maio, acumulando queda de 0,26% nos cinco primeiros meses deste ano, em relação a igual período de 2015.

O desempenho do PIB no agronegócio pode ser observado na Figura 1.

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Figura 1 – Evolução do PIB na Agropecuária
Fonte: IBGE/Bradesco

Nesse contexto as cooperativas agropecuárias passam a desempenhar papel cada vez mais importante tanto do ponto de vista econômico como social, principalmente pelo fato de representarem, em muitas regiões, uma das poucas alternativas para agregação de valor à produção rural, bem como de inserção de pequenos e médios produtores em mercados concentrados e competitivos. De acordo com Pattison (2000), cerca de um terço da produção mundial de alimentos passa por cooperativas.

Com um papel cada vez mais relevante a gestão é hoje um dos principais desafios das cooperativas e seus gestores, sobretudo no agronegócio.  O mercado está cada vez mais imprevisível e competitivo, aumentando a necessidade de uma gestão estratégica.

Para todo gestor que realmente deseja tornar-se um executivo de sucesso, é preciso começar a entender melhor como funciona a gestão estratégica, especialmente para o desenvolvimento das cooperativas do agronegócio.

Vive-se uma era de constante evolução, logo, as cooperativas não conseguem sobreviver no mercado complexo, competitivo e globalizado, quando apenas alguns dos gestores participam na elaboração e implementação de estratégias. Para o desenvolvimento de qualquer organização, todos devem estar envolvidos. Gestores e demais colaboradores precisam compreender a importância de conhecer e perceber a gestão estratégica como uma alternativa de modelo de gestão cuja finalidade é assegurar o desenvolvimento e a sobrevivência das cooperativas no mercado em condições competitivas.

Nesse sentido desenvolver estratégias por intermédio de um processo formal e estruturado de planejamento estratégico é primordial para uma cooperativa que atua no agronegócio.

Metodologias antes presentes no dia a dia das empresas como matriz swot, linha da visão, previsão de demanda do mercado, matriz de atratividade do negócio, análise da concorrência, monitoramento da vantagem competitiva, identificação de lacunas estratégicas, indicadores de desempenho e estabelecimento de metas precisam se incorporar definitivamente a rotina das cooperativas do agronegócio desafiadas em compreender as mudanças no ambiente, no mercado e, portanto, implementar as alternativas estratégias que possibilitem as mesmas alcançar seus objetivos.

A discussão sobre estratégia numa cooperativa do agronegócio possue algumas peculiaridades que não podem ser ignoradas na medida em que a formulação estratégica visa preparar a cooperativa para lidar com quatro desafios fundamentais, do ponto de vista estratégico, segundo o Professor Décio Zylbersztajn da USP: a capitalização, a governança corporativa, a fidelização dos cooperados e a internacionalização.

As dimensões críticas no planejamento estratégico de uma cooperativa do agronegócio pode ser observadas na Figura 2.

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Figura 2 – Dimensões estratégicas críticas numa cooperativa do agronegócio
Fonte: Autor

No que se refere à Capitalização as estratégias de crescimento das organizações levam à discussão da estrutura do capital. O problema que se coloca para as cooperativas é a do financiamento de projetos com atratividade positiva, considerando as imperfeições inerentes ao mercado financeiro. Fundamentalmente, as cooperativas podem recorrer a seus recursos próprios, captar empréstimos no mercado e emitir instrumentos de propriedade.

Na questão da Governança que é crescentemente discutido no âmbito das sociedades de capital aberto, a questão central para as cooperativas é qual o modelo a ser adotado e por que interessaria às cooperativas, mesmo elas não sendo empresas de capital aberto?

Para as cooperativas, mesmo não sendo passíveis de emitirem ações negociáveis, mas apenas cotas não-negociáveis, diversos aspectos de transparência são importantes.

As cooperativas competem por capital, do mesmo modo que outras formas de organização, mas são limitadas a buscar os recursos internamente por empréstimos e, em alguns casos, pela via de mecanismos de crédito alternativos. Cada vez mais são impelidas a desenvolver parcerias seja com outras cooperativas, seja com outros tipos de organização. Em quaisquer casos, a preocupação com a transparência das informações é fundamental.

No que tange a Fidelização dos Cooperados a relação entre o membro e a cooperativa é uma relação contratual. São realizados investimentos por ambas as partes, o que cria rendas associadas aos ativos que dão suporte à transação. A cooperativa, não raras às vezes, realiza investimentos cujo sucesso depende, fundamentalmente, do cumprimento das promessas realizadas pelos cooperados, quando tomaram a decisão colegiada de realizar o investimento. Os membros das cooperativas podem fazer contratos formais com a cooperativa, da mesma forma que podem fazer tais contratos com outras organizações. Uma eventual quebra contratual leva à perda de valor dos ativos investidos, dificultando o planejamento de longo prazo, estratégico, e a estabilidade das relações entre as partes.

A participação do cooperado na rede coordenada pela cooperativa, a sua reputação junto da comunidade, os mecanismos de pagamento pelo produto adotados pela cooperativa, e a utilização de tecnologia de informação pela cooperativa para monitorar o cooperado são diferentes dimensões que devem ser consideradas no desenvolvimento do planejamento estratégico.

Uma última questão que necessita ser tratada do ponto de vista estratégico é a Internacionalização.

As organizações cooperativas ligadas ao agronegócio tiveram significativo crescimento de participação nas exportações, nos últimos anos. As cooperativas passaram a ser alvo preferencial de empresas originadoras internacionais, considerando que são capazes de resolver, de forma eficiente, o problema de coordenação horizontal de um grande número de contratos com supridores individuais. As cooperativas são parceiras atraentes para as empresas originadoras e para as corporações produtoras de insumos agrícolas.

Como decorrência natural do seu sucesso na área internacional, algumas estratégias, antes praticamente ignoradas, passaram a ganhar relevância, entre as quais, as de controle de qualidade e sanidade dos alimentos, a preocupação com as tendências dos consumidores internacionais e os problemas associados ao protecionismo internacional, seja tarifário ou especialmente o não-tarifário. Aspectos de regulação dos mercados passaram a fazer parte da agenda das cooperativas que se interessam em participar dos mercados internacionais em um período de ameaça de recrudescimento protecionista.

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