Quando uma empresa ambidestra é a solução?

Os desafios que surgem constantemente em função da necessidade de uma rápida adaptação ao ambiente vem demandando das empresas uma customização dos seus modelos de gestão e de negócios. Nesses novos modelos organizacionais flexibilidade é a palavra chave.
Nos últimos anos um conceito vem ganhando destaque. A empresa ambidestra.

Mas o que vem a ser uma empresa ambidestra?

Numa definição simples pode-se dizer que empresas ambidestras são as que utilizam simultaneamente dois modelos de negócio. Seu modelo tradicional e outro como resposta à concorrência e as mudanças ambientais.

Para compreender o conceito de empresa ambidestra é importante compreender antes o significado de modelo de negócio. Um modelo de negócio pode ser explicado como a maneira como uma empresa desenvolve, entrega e captura valor. Em outras palavras, é a fórmula que transforma equipe, produto e gestão em receita, lucros e rentabilidade para os acionistas. Se quisermos considerar todos os stakeholders, partes interessadas, é a forma pela qual uma organização gera valor para todos os seus principais públicos de interesse.

Uma grande empresa normalmente desenvolve estruturas complexas com o tempo com base em normas e procedimentos para ser mais eficiente. Por causa dessa busca pela eficiência operacional um colaborador é condicionado a seguir regras, procedimentos e rotinas; e é penalizado se tentar fazer algo diferente do que foi determinado. Por esse motivo cada setor tem padrões de trabalho e controles que devem ser rigidamente cumpridos, pois representam métricas de eficiência importantes para manter o negócio operando satisfatoriamente.
Como então inovar e ao mesmo tempo manter a operação eficiente? O negócio como existe hoje precisa prosseguir na busca constante pela eficácia, qualidade e regularidade. Já a inovação precisa partir de outra organização, uma organização paralela, regida sob outro conjunto de regras, que possibilite que seja feito o que a primeira não permite.

Numa analogia simples pode-se afirmar que empresas ambidestras têm a capacidade de agir com as duas mãos: à direita, que mantém o negócio como está atualmente, cultura extrativa, operando sem grandes transformações; e a esquerda, que é totalmente diferente e separada da direita, inclusive fisicamente, tendo uma cultura que pode-se chamar de “explorativa”. Tudo isso sendo feito de forma integrada.

Empresas ambidestras são, portanto, a resposta para garantir a eficácia da operação existente, a cargo do lado direito, cultura extrativa, ao mesmo tempo em que se gerencia a inovação através do lado esquerdo, cultura explorativa. Quando as inovações são testadas, avaliadas e aprovadas no lado esquerdo, são então estruturadas e implementadas, com as adequações e cuidados, na organização direita. É o isolamento entre as duas estruturas que possibilita a coexistência de atividades de natureza tão díspares e até por que não dizer conflitantes.

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Essa organização esquerda, paralela, procura incorporar avanços na gestão de pessoas mais compatíveis com uma cultura de inovação. Normalmente adota horário de trabalho flexível, não tem cartão de ponto, dispensa uso de uniforme e a hierarquia é mais fluida.  A colaboração é incentivada, assim como a experimentação, os testes e os erros – que são tratados como oportunidades de aprendizado. Não existem salas de diretoria, o layout é do tipo espaço aberto, só um amplo espaço, sem divisórias, que facilita a comunicação, a interação e a cooperação. A estrutura é enxuta, porém altamente flexível, para acomodar diversas configurações de equipes de projetos, que substituem os departamentos funcionais e os organogramas.

Para conseguir assegurar a coexistência satisfatória entre ambos os modelos de negócio, ambas as culturas, as empresas precisam refletir sobre cinco questões, como evidencia uma pesquisa desenvolvida pelos professores Constantinos C. Markides e Daniel Oyon, da London Business School e da Hec, de Lausanne

  • Devo entrar no mercado desenvolvido pelo novo modelo de negócio?
  • Ao entrar no novo mercado, devo fazer isso utilizando o modelo de negócio existente ou necessito de um novo modelo?
  • Caso precise de um novo modelo de negócio para explorar o novo mercado, devo adotar o modelo invasor e disruptivo de meu mercado?
  • Se eu desenvolver um novo modelo de negócio, quão distante ele deve ser organizacionalmente do modelo atual?
  • Uma vez que eu tenha estruturado uma unidade separada, quais são os desafios de conciliar dois modelos de negócio, as duas culturas, ao mesmo tempo?

Ainda que possamos ter outras formas para implementar uma cultura de inovação, em uma empresa a organização ambidestra é, sem dúvida, a mais adequada e rápida estratégia de inovação – e, por isso mesmo, cada vez mais utilizada por empresas em todo o mundo.

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