O paradoxo da estratégia

Bem-vindo Caro Leitor!

Feliz 2019!

Depois de um período de recesso para as festas de final de ano e férias retornamos à publicação semanal do DICAS DE GESTÃO.

Hoje vamos tratar do chamado Paradoxo da Estratégia proposto por Michael E. Raynor.

Mas antes precisamos compreender bem o significado de paradoxo.

Paradoxo pode ser definido como sendo um pensamento, proposição, ideia ou argumento que contraria os princípios fundamentais gerais que orientam o pensamento humano, ou desafiam o senso comum, a crença ordinária compartilhada pela maioria das pessoas.

Quando se trata de estratégia os especialistas costumam afirmar que uma empresa obtém os maiores retornos quando se concentra em uma única estratégia, se compromete com ela e alinha todos os recursos com essa estratégia. Se analisarmos empresas bem-sucedidas a impressão que temos é que adotaram essa alternativa estratégica. Ou seja, manter o foco e se comprometer com uma estratégia é o principal requisito para o sucesso.

Em The Strategy Paradox: Why Committing to Success Leads to Failure – And What to Do About It (“O paradoxo da estratégia: por que o compromisso com o sucesso leva ao fracasso – e o que fazer a respeito), Michael E. Raynor explicita o paradoxo fundamental por trás dessa idéia.

Investir naquela grande oportunidade invariavelmente abre o risco de um grande fracasso como sustenta Michael Raynor já que a vida real em geral, e mercados competitivos em particular, é repleta de incógnitas e surpresas. O mesmo foco e empenho que prometem os maiores retornos sobre o investimento também podem trazer o maior risco de insucesso.

Segundo o autor em um mundo instável, imprevisível e em transformação, mundo VUCA, manter o foco e o compromisso a qualquer custo pode não ser a melhor alternativa. Considerando que o mercado é incerto por natureza estratégias menos focadas são mais elásticas e podem se adaptar mais rapidamente às mudanças.

Assim, segundo Raynor, a aposta em estratégias puras é mais arriscada porque:

  • Uns ganham, e ganham muito;
  • Outros perdem, e perdem muito, não conseguindo mesmo sobreviver.

A partir desta constatação Raynor no seu livro propõe que a empresa se assegure de ter “a capacidade/competência de adotar outras estratégias (…) dependendo de como se equacionam as incertezas”. Raynor recomenda, ainda, que o CEO não se concentre em atingir resultados, mas em administrar a incerteza. Ou seja, o principal executivo deve atuar como um gerenciador de incertezas e, por conseguinte do risco.

Por outro lado, com estratégias híbridas nunca se ganhará muito, mas também nunca se perderá muito.

O tradeoff é que a maioria das estratégias são construídas sobre crenças específicas sobre um futuro imprevisível, mas as atuais abordagens estratégicas forçam os líderes a comprometer-se com uma estratégia inflexível, independentemente de como o futuro pode se desenrolar. É esse compromisso com a incerteza que é a causa do paradoxo estratégico.

O autor acredita que a solução está, portanto, em investir em um “portfólio de estratégias”. Essa proposta é complexa e possui custo elevado e, portanto, está ao alcance apenas das grandes corporações, como Raynor ilustra.

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