Planejando estrategicamente em momentos de elevada incerteza

Toda vez que o País atravessa momentos conturbados, com acentuada incerteza, imprevisibilidade política e consequentemente econômica, não me recordo de nenhum período tão confuso como o atual nos últimos anos, os questionamentos que mais ouço é: será que vale a pena fazer planejamento estratégico agora? Não é melhor esperar passar as eleições para ver como as coisas ficam? Não corremos o risco de ter que refazer tudo novamente no ano que vem?

Muita gente ainda acredita que diante da volatilidade, da incerteza, da complexidade e da ambiguidade não adianta planejar quando é justamente o contrário. Quanto mais insegurança sobre o comportamento das variáveis ambientais mais importante o planejamento se torna.

Muitos gestores, dominados pela ansiedade natural nos momentos de crise focam no curto prazo, sobre o que tem uma efetiva gestão, e deixem o longo prazo – a estratégia – para um outro momento, esperando que as coisas melhorem e muitas vezes esse momento não chega.

Quanto mais insegurança mais importante é lançar um olhar sobre o médio/longo prazo. O olhar sobre um horizonte de tempo maior diminui a ansiedade e possibilita lidar com a turbulência.

Por tudo isso resolvi dedicar o DG desta semana a tratar do planejamento em momentos particularmente críticos.

Ao longo dos últimos meses a economia brasileira exibiu forte volatilidade. Esse aumento da instabilidade refletiu uma mudança do cenário externo e uma deterioração interna.

Todos tem acompanhado pelo noticiário nas últimas semanas a incerteza política a poucos meses da eleição, a alta nos preços dos alimentos, o forte reajuste nas tarifas de energia elétrica determinando ligeira aceleração da inflação, em função de novos pontos de pressão, ainda reflexos da greve dos caminhoneiros, que reduziu subitamente a oferta de alimentos e combustíveis. Junte-se a isso a intensificação do processo de desvalorização cambial, o recuo na confiança dos empresários sobretudo dos proprietários de negócios de pequeno e médio porte, a elevação da taxa de desalento e a previsão para o crescimento do produto interno bruto (PIB) deste ano reduzida de 3% do início do ano para 1,5% (Boletim Focus do BACEN).

Pronto! Um prato cheio para os pessimistas. Calma, muita calma nessa hora. Nem tudo está perdido!

É em momentos como esse que surgem grandes oportunidades e que distinguem os melhores empreendedores. Os verdadeiros empresários.

Ser competente com o Brasil crescendo 4, 5, 6, 7% a.a., como ocorreu há alguns anos, é fácil.

É na crise, nas batalhas mais difíceis que surgem os grandes estrategistas.

Num momento como o atual a revisão da estratégia de atuação no mercado, com o desenvolvimento de um processo de realinhamento estratégico com o apoio de especialistas ajudam a empresa a conquistar resiliência empresarial (a capacidade de se recuperar de situações ruins, mantendo-se firme e jamais se permitindo ser tomado de derrotismo até que o momento mais crítico seja superado). O planejamento estratégico vai permitir que a empresa encare o ambiente com mais confiança e tome decisões assertivas.

Planejar permite antecipar o futuro. Antecipar o futuro e abordá-lo de forma estratégica, preparando-se para o que está por vir, tem sido uma das maiores forças das empresas mais bem-sucedidas. Planejar estrategicamente permite a identificação e o desenvolvimento de vantagens competitivas importantes e a transformação de ameaças em oportunidades.

A prevenção e o planejamento em períodos de escassez de crédito e de retração econômica podem fortalecer empresas no médio e longo prazo. A redução do número de players com o fechamento de empresas que não se preparam para essa travessia difícil inevitavelmente vai gerar novas e promissoras oportunidades para os que se prepararem.

O planejamento estratégico vai possibilitar também o monitoramento de taxas de juros, câmbio e inflação bem como suas tendências e as oscilações de custos. O mercado é promissor aos atentos, bem informados e que interagem com ele.

A reflexão ensejada por um processo de planejamento vai permitir que a empresa identifique e busque novas alternativas e novos nichos e consequentemente oportunidades para crescer. Analisar é perceber lacunas no mercado em que se atua, voltando os investimentos e esforços em nichos que, mesmo diante de crises, têm potencial de gerar rentabilidade e crescimento.

A revisão do modelo de negócios também pode assegurar a identificação de novas oportunidades.  Muitas vezes um pequeno realinhamento no modelo de negócios pode ser a diferença entre prejuízo ou lucro. Sobrevivência ou não.

Planejar estrategicamente possibilita antecipar e mitigar riscos. Com o planejamento estratégico perguntas como: de que forma pode-se agir? Quais são os riscos? E se não fizermos quais resultados teremos? poderão ser respondidas e os riscos da organização reduzidos.

O desenvolvimento de um processo de planejamento estratégico possibilita a empresa o acúmulo de potencialidades que serão fundamentais na hora da virada. Possibilita também identificar as contribuições mais relevantes que cada colaborador pode dar no sentido de auxiliar a empresa na travessia. Aproveitar o período de demandas fracas para realizar desenvolvimento de pessoal e acumulo de competências pode ser uma alternativa para quando a crise passar e a empresa precisar contar com colaboradores comprometidos para aproveitar as oportunidades além é claro, de sedimentar uma cultura inovadora no ambiente empresarial.

Os benefícios de desenvolver um processo de realinhamento estratégico em momentos de instabilidade estão resumidos na Figura 1.

Elabore um plano de ação para que eventuais aumentos em seus produtos e serviços sejam explicados para os clientes. A falha recorrente de muitos empreendedores é, em momentos difíceis e por falta de uma estratégia, diminuir a margem de lucro, que em alguns casos já é pequena; com o intuito de não elevar os preços. Essa decisão acaba comprometendo a rentabilidade da empresa e consequentemente a capacidade de investimento sendo, portanto, a alternativa para as empresas que não tem uma estratégia.

O planejamento estratégico vai possibilitar a empresa acompanhar a economia como um todo. Desta forma, a empresa estará mais estruturada para não ter perdas em uma economia em transformação e recuperação.

Concluindo planejar estrategicamente, ou seja, com horizonte longo prazo (5 a 10) anos permite a empresa estender o seu olhar para o futuro o que reduz a ansiedade provocada pela preocupação apenas com o dia a dia.

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