Efeito delay na gestão de indicadores de performance

Já aconteceu de você estar assistindo a uma partida de futebol pela TV, próximo ao estádio, e escutar a comemoração do gol antes mesmo do chute do jogador ao gol ou da cobrança da penalidade máxima?

Pois é! Uma das grandes chateações para que assistiu aos jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo foi o tal do “delay“. É um problema antigo e que ainda persiste. Atribuo isso ao fato de que a grande maioria das pessoas não percebe, a não ser em grande eventos.

Quem possui em casa uma TV na antena coletiva do prédio e outra ligada no canal por assinatura também pode perceber a diferença de segundos na programação. Quem assiste pela TV a um show ao vivo, que pode ser visto da janela de casa, também sabe bem do que estou falando.

O delay, traduzindo para o português, seria “atraso” É o tempo que o sinal da transmissão percorre para que os dados subam e desçam do espaço à Terra nas transmissões via satélite. No delay o sinal pode demorar cerca de um quarto de segundo para ir até o satélite e outro para voltar até a base, no máximo. Ou seja, se a transmissão for enviada para todo o País, o sinal ainda precisa fazer outra viagem de ida e volta até chegar às telinhas, o que pode acrescentar um pouco mais de atraso.

Mas não viemos aqui para tratar de transmissões por satélite até porque existem pessoas bem mais qualificadas do que eu, ainda que engenheiro eletricista de formação, para tratar do assunto.

Nosso objetivo é abordar o efeito delay na gestão de indicadores de performance empresarial.

Em gestão do desempenho empresarial utilizo a expressão “efeito delay” para me referir ao tempo necessário para que uma ação implementada produza efeitos e sensibilize os indicadores de desempenho da empresa. Ou seja, é o tempo decorrido entre a adoção de uma ação, resultante de um Plano de Ação ou de um FCA (Fato-Causa-Ação) elaborado e a repercussão dessa ação nos indicadores de performance da empresa.

E por que seria importante compreender o efeito delay no caso dos indicadores, por ocasião da reunião de análise crítica de desempenho, RAC, avaliação gerencial mensal, AGM ou critical performance analysis meeting, CPAM?

Por três aspectos fundamentais.

Primeiro porque o desconhecimento ou a não compreensão do significado do efeito delay, levar a uma expectativa exagerada sobre o tempo necessário para uma ação produzir impactos na performance da empresa e, consequentemente, nos indicadores. Isso pode levar a frustrações.

Segundo porque a não compreensão pode levar a falsa sensação, para alguns, que a ação está equivocada pelo fato de não ter produzido os efeitos esperados, o que pode ocasionar a sua descontinuidade, abandono, de forma prematura. O problema pode não estar na ação e sim no tempo necessário para que ela tenha repercussões nos resultados.

Terceiro porque pode levar a inconsistências na definição de metas, sub ou superdimensionamento, que uma vez não alcançadas comprometam a percepção da chefia sobre o trabalho realizado pelos colaboradores. Como eu já tratei no DG sobre estabelecimento de metas, metas subdimensionadas desmotivam. Passam a impressão que a chefia não confia e espera pouco da equipe. O mesmo ocorre com metas superdimensionadas. Diante de um alvo inalcançável as pessoas começam a esmorecer.

De um modo geral ações voltadas para aspectos que envolvam pessoas, motivação, ambiente de trabalho, satisfação dos clientes, satisfação da comunidade, imagem da empresa, participação de mercado, vendas, que são afetadas por inúmeros fatores muitos dos quais externos e fora do controle da empresa, tendem a ter um delay um pouco mais longo. Já as ações na operação, em processos industriais e de serviços e na área financeira podem ter um delay um pouco mais curto.

Portanto, a compreensão do delay pode propiciar aos gestores estimativas mais precisas sobre o prazo necessário para os efeitos das iniciativas aparecerem e com isso lidar melhor com a ansiedade, compreensível, dos acionistas por melhores performances.

Outra contribuição do estudo do efeito delay na gestão de indicadores é a possibilidade da definição de metas, bem como a sua projeção de forma mais criteriosa para os meses subsequentes e até para o próximo ano.

Mas afinal de contas como calcular o delay?

Diferente do que ocorre na engenharia e em sistemas de telecomunicações não existe uma fórmula matemática que nos leve a resultados exatos.

O delay depende do indicador que está sendo analisado, das ações adotadas, do engajamento das equipes na implementação dessas ações, das reações do mercado e do ambiente econômico e competitivo.

Um bom caminho para estimar o delay nos indicadores de performance é considerar a série histórica dos índices apurados para cada indicador, por isso é importante registrar as informações de desempenho em um painel de indicadores, procurando identificar ações adotadas no passado e em quanto tempo elas produziram efeitos.

Eu costumo dizer, me referindo à educação, que a partir do momento em que a sociedade brasileira comece a levar a educação a sério, e não fique apenas na retórica, levaremos 30, 40 anos para perceber os efeitos.

Ficou claro o efeito delay e a sua repercussão na gestão do desempenho empresarial?

Como diria o saudoso comediante Mussum do quarteto Os Trapalhões; “tranquilis”?

Mas também não dá pra usar o efeito delay, como desculpa, para justificar ações inadequadas, sem o comprometimento da equipe e que jamais produzirão os efeitos desejados.

São coisas bem diferentes!

Saudações!

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