A estratégia de produção como um desdobramento da estratégia do negócio

Depois de desenvolvida a estratégia corporativa/competitiva e a estratégia de cada negócio a empresa necessita desdobrar as chamadas estratégias funcionais.

As estratégias funcionais são compostas pelo conjunto de planos de ação adotados nas diversas áreas para a obtenção dos resultados esperados pela empresa. As estratégias funcionais mais comuns são as estratégias comercial, financeira, de recursos humanos, de tecnologia, de distribuição, de marketing e de produção.

As estratégias funcionais, portanto, contribuem e reforçam a estratégia de negócios e a estratégia competitiva da empresa e definem as atividades e processos que estabelecem condições para a empresa conquistar os benefícios da sua posição competitiva. A formulação e a análise das estratégias funcionais mostram, de que maneira, as funções da empresa se alinham com a estratégia competitiva.

Os três níveis da estratégia podem ser observados no quadro a seguir.

Quando a empresa atua em um único ramo, um único negócio, a estratégia do negócio se confunde com a estratégia corporativa/competitiva. Nesse caso costumo trabalhar a estratégia em apenas dois níveis. Estratégia empresarial e estratégias funcionais.

Depois de apresentamos um panorama geral sobre os diversos níveis de estratégias, que são desenvolvidas na empresa, vamos focalizar a estratégia de produção que é o objeto principal do presente artigo.

O estudo da estratégia de produção, alguns se referem a ela como estratégia de operações, se inicia, do ponto de vista do seu conteúdo, com o trabalho pioneiro de Skinner no final da década de 60 quando identifica a produção como uma importante fonte de vantagem competitiva.

 A estratégia de produção se refere, portanto, ao estabelecimento de linhas de ação que possibilitem a utilização, de forma eficiente, dos recursos de maneira a assegurar o alcance dos objetivos da companhia.

 Utilizando uma abordagem baseada no mercado para a estratégia de produção/operações uma empresa toma decisões considerando os mercados e os clientes que ela pretende conquistar.

 Estratégia de produção pode ser analisada de diversas formas a respeito da importância da produção para a estratégia da empresa. As tarefas da manufatura, ou as prioridades estratégicas, como preferem alguns autores, foram primeiramente identificadas como sendo: produtividade, serviço, qualidade e retorno sobre o investimento. De acordo com Garvin (1993), a maioria das publicações está focada em quatro principais prioridades competitivas: custo, qualidade, entrega e flexibilidade. A essas quatro prioridades competitivas, o autor agrega mais uma que denomina de serviços.

Complementarmente Slack, Chambers e Johnston (2010) identificam cinco objetivos de desempenho operacional que fazem parte de todos os tipos de operações que são: qualidade, flexibilidade, velocidade, confiabilidade e custo.

O objetivo da estratégia de produção é prover um padrão de decisões consistentes no que se refere ao processo produtivo disponibilizando para a empresa uma orientação em relação a melhor forma de utilizar os recursos de maneira a suportar uma vantagem competitiva.

De acordo com Hayes e Wheelwrigh (1988) as áreas de decisão podem ser classificadas em duas categorias conforme sua natureza: estruturais e infraestruturais.

As decisões de natureza estruturais são aquelas cujos impactos se dão no longo prazo, são difíceis de serem revertidas ou modificadas e exigem significativos aportes de capital. Nesse primeiro grupo classificam-se as decisões relativas à capacidade, instalações, tecnologia e integração vertical.

As áreas de decisão de natureza infraestruturais se relacionam a aspectos de natureza mais operacionais do negócio. Os resultados obtidos a partir das decisões tomadas neste âmbito são de curto, médio e longo prazo, mas os investimentos de capital em geral são menores do que as necessárias nas áreas estruturais e a reversão de decisões é mais fácil, embora resulte em perdas para a empresa. As áreas de decisão de natureza infra estrutural mencionadas são: recursos humanos, qualidade, planejamento e controle da produção/materiais, novos produtos, medidas de desempenho e organização.

A estratégia da produção pode ser ainda explicada como dizendo respeito ao estabelecimento de políticas e planos abrangentes para otimizar  a utilização dos recursos de uma empresa, visando uma melhor sustentação de sua estratégia competitiva no longo prazo. As estratégias de produção são desenvolvidas levando em consideração os chamados critérios competitivos que possibilitam uma melhor análise acerca do posicionamento dos produtos e bens.

Usualmente são utilizados quatro critérios competitivos básicos: custos, qualidade, entrega e flexibilidade. Paiva e outros (2004) identificam cinco critérios competitivos na área da administração da produção que se relacionam com a estratégia de negócios da organização, a saber: custos, qualidade, desempenho de entrega, flexibilidade e inovatividade. O último critério, a inovatividade, é definido como a capacidade da empresa em desenvolver novos produtos e/ou serviços em curto espaço de tempo.

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