O Modelo dos 3 Hs: sustentando o crescimento empresarial

Na semana passada, numa aula de Gestão Estratégica para alunos de graduação em Engenharia de Produção, uma aluna me questionou sobre o Modelo dos 3Hs. Resolvi então abordar o tema essa semana sobre os horizontes para o crescimento empresarial, oportuno considerando o momento difícil que o Brasil e o mundo atravessam.

O Modelo dos 3Hs, três horizontes, descreve uma estrutura desenvolvida, como o nome sugere, a partir de 3 horizontes, resultantes de um estudo realizado sobre como as empresas sustentam o crescimento a partir do gerenciamento da performance enquanto as oportunidades futuras são maximizadas. É um modelo útil, sobretudo, em momentos de grande incerteza.

Foi apresentado no livro A Alquimia do Crescimento, publicado no Brasil pela Editora Record. Nele, Baghai e seus colegas da McKinsey sugerem que uma empresa para crescer, precisa gerenciar projetos simultaneamente em três horizontes diferentes.

O modelo de três horizontes da McKinsey fornece, portanto, uma terminologia que contempla o momento presente (horizonte 1), um futuro próximo (horizonte 2) e um futuro mais distante (horizonte 3).

Segundo o Modelo empresas inovadoras distribuem seu portfólio de investimento considerando esses três horizontes e continuam desenvolvendo os negócios atuais, sem negligenciá-los, enquanto prospecta e desenvolve novas oportunidades.

O Modelo dos 3Hs pode ser observado na Figura 1.

O Horizonte 1 está relacionado ao core business da empresa. Fazendo um paralelo com a Matriz BCG são as vacas leiteiras, aqueles produtos já consolidados, estáveis e que estão gerando caixa para a empresa atualmente. É o presente, os projetos ligados ao dia-a-dia, à busca de metas estabelecidas. São produtos que já não demandam muito novo investimento. A maior parte do aporte de recursos está na operação, em mantê-lo funcionando e atendendo as necessidades do cliente. O profissional nesse horizonte busca a maximização do lucro através da excelência na operação.

O Horizonte 2 mostra o que está por vir num futuro próximo (em alguns meses ou anos, dependendo do segmento de mercado). São os produtos ou features (aspectos) emergentes. Aqueles que requerem mais investimento em desenvolvimento do que em operação para atender uma base de clientes ainda reduzida que aprecia novidades e lançamentos. São os novos produtos e serviços lançados por empresas para completar seu mix, entrar em novos mercados, contra-atacar a concorrência. Demandam um perfil de profissional empreendedor e que aceitam o desafio de desbravar novas oportunidades de negócios.

Por último o Horizonte 3 é o que pode-se chamar de “laboratório”. É onde novas idéias e conceitos são desenvolvidos e testados. Se forem aprovados e tiverem viabilidade comercial, passam para a etapa 2 e se tornam emergentes. Nesse estágio, precisa-se de profissionais visionários e capazes de desenvolver estratégias.

Segundo os autores, a empresa precisa de uma capacidade constante de desenvolver e lançar novos negócios e produtos/serviços. O grande desafio é identificar quais são os projetos que devem ser priorizados e de que forma. A idéia é criar um filtro de projetos que possibilitem a empresa se adaptar ao ambiente em mutação e se desenvolver em busca de um futuro promissor que seja sustentável. Isso cria, como já dissemos, a necessidade de gerenciar os três horizontes simultaneamente.

São gerados desafios importantes e complexos já que as exigências de cada uma das etapas são diferentes. Normalmente, as empresas que desenvolvem uma competência raramente conseguem administrar bem as outras duas, até mesmo por causa de conflitos internos constantes, decorrentes do desafio de administrar as 3 etapas simultaneamente.

Mesmo considerando que um novo produto ou serviço leva algum tempo para se estabelecer e atingir seu pleno potencial, o esforço é tanto que normalmente não se consegue dar a eles a atenção necessária.

O segredo do sucesso está em tentar alcançar o equilíbrio. Escolher e planejar bem os projetos nos quais vai se investir, Horizonte 3, validá-los e desenvolvê-los com paciência, permitindo que cresçam e alavanquem todo o seu potencial, Horizonte 2 e, posteriormente, centrar total atenção na  excelência operacional, Horizonte 1.

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