Remuneração de serviços de saúde: criando valor para o cliente

Nos últimos anos tenho acompanhado a preocupação de gestores de hospitais e clínicas em reduzir desperdícios para se tornarem mais eficientes agregando valor ao paciente. O fenômeno dos custos crescentes em saúde é uma realidade, e é improvável que sofra mudanças significativas no curto e médio prazos o que demandará um esforço dos atores envolvidos no sentido de melhorar a eficiência na prestação dos serviços.

Processos de trabalho são mapeados, gargalos identificados, atividades redesenhadas tudo visando uma melhor eficiência.

O grande dilema a ser equacionado é que as formas atuais de remuneração não premiam a eficiência muito pelo contrário.

A tendência é que tenhamos no futuro novas formas de remuneração pelos serviços de saúde que recompensem os prestadores pela entrega de maior valor ao paciente, ou seja, melhores resultados com menores custos.

Entre as formas de remuneração de serviços de saúde mais conhecidas pode-se mencionar:

Capitation (per capita)

Nessa forma de remuneração os prestadores recebem um valor fixo mensal por pessoa coberta, que remunera os serviços de saúde prestados ao longo de um determinado período. O modelo Capitation tem, portanto, como base a fixação de um valor per capita como remuneração para o prestador de serviços. No Brasil, são poucas as experiências da aplicação deste modelo. Nem os prestadores e nem as operadoras estão preparados para sua utilização. O grande desafio é ter parâmetros para a correta negociação dos valores per capita.

Depende de informações confiáveis relacionadas aos riscos populacionais e sua distribuição geográfica, requer sólida e complexa base de dados estatística das enfermidades, região por região, faixa etária, raça, sexo, etc. Ao ser estabelecido um valor por associado e definido um hospital para o atendimento, poderá haver variações nos procedimentos, o que demanda revisões periódicas dos valores acordados. Prestadores podem também receber um bônus, ou sofrer penalidades, em função da evolução dos resultados. Se medir qualidade já não é uma tarefa das mais simples o desafio aumenta mais sobre uma base populacional com limitados dados estatísticos e sobre a qual o prestador não possui controle.

Bundled services

Nessa alternativa de remuneração o prestador recebe um valor determinado negociado com a fonte pagadora pelos serviços prestados ao paciente ao longo do tratamento de uma determinada enfermidade (por exemplo, insuficiência cardíaca, diabetes).

É uma das modalidades do P4P — Pay for Performance, que possibilita a adoção de incentivos com base em desempenho, não apenas financeiro.

Os prestadores têm a responsabilidade pelo tratamento completo de determinada enfermidade. Considera a melhoria do desempenho dos tratamentos, tanto em economias como em qualidade, e isso requer uma base de dados sobre o histórico do paciente e da população. Aqui também o risco recai sobre o prestador, e não é compartilhado pela fonte pagadora.

Diagnosis Related Groups

Neste modelo se remunera mediante um único pagamento para um conjunto de serviços prestados, conforme o diagnóstico. Tem como base a CID (Classificação Internacional de Doenças), que padroniza a codificação de doenças e outros problemas relacionados à saúde. Fornece códigos relativos à classificação de enfermidades e de sinais, sintomas, aspectos anormais, queixas, circunstâncias sociais e causas de ferimentos ou doenças.

Fee for Service

Modelo utilizado há décadas no Brasil. O prestador é remunerado por procedimento. As partes estabelecem previamente uma tabela de preços por procedimento ou conjunto deles. Os valores praticados para os mesmos tipos de procedimento variam amplamente entre diferentes prestadores e pagadores. O desempenho não é considerado, os custos reais raramente o são e os valores ficam condicionados aos poderes de barganha. Remunera-se a quantidade, não a qualidade; reinternações decorrentes de evoluções clínicas ou erros médicos são novamente remuneradas.

As formas mencionadas de remuneração podem ser observadas na Figura 1.

tax

O desafio que se coloca para os prestadores de serviços médico-hospitalares, com novas formas de remuneração, envolve gerenciar perdas decorrentes de:

  • Gestão inadequada de recursos humanos
  • Manutenção e gestão dos equipamentos médico-hospitalares
  • Gestão inadequada de serviços contratados
  • Desperdícios de materiais médico-hospitalares
  • Desperdícios relacionados á estrutura física
  • Desperdício relacionado á ocupação de leitos
  • Desperdícios relacionados aos processos de trabalho

O equacionamento dessas perdas é fundamental para se manter a rentabilidade mesmo com a adoção de novas formas de remuneração.

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