A Teoria das Restrições aplicada a indústria: manufatura sincronizada

Você já deve ter ouvido falar na Teoria das Restrições. Ao menos do livro a meta: um processo de melhoria contínua de Eliyahu M. Goldratt e Jeff Cox, publicado no Brasil pela Editora Nobel.

Se ainda não teve a oportunidade recomendo a leitura.

Também chamada de TOC, Theory of Constraints a Teoria das Restrições foi desenvolvida pelo físico Eliyahu Goldratt, em 1984 se tornou conhecida no mundo. No livro citado o autor aborda o conceito de restrição de uma maneira lúdica.

Essa teoria parte do princípio de que grande parte dos desafios enfrentados por uma empresa estão relacionados a um fator chamado “restrição”. O termo se refere a tudo aquilo que dificulta, atrapalha ou até impede uma organização de alcançar seus objetivos, metas e resultados.

Umble e Srikanth (1990) definem uma restrição como qualquer fator que limita um sistema no cumprimento de sua meta de gerar resultados. Em outras palavras, o recurso restrição corresponde a qualquer fator que limita o desempenho da empresa. Ao contrário o recurso não-restrição é o fator que não limita o desempenho.

O principal objetivo da TOC é maximizar os resultados de uma empresa por meio de uma adequada gestão de todos os recursos que ela possui. Ou seja, mapeando todo o sistema é possível identificar falhas, propor melhorias e adequar os recursos à realidade da empresa, até que o problema seja equacionado e os resultados alcançados.

Pode-se identificar dois tipos de restrições: as físicas, que estão relacionadas aos recursos tangíveis que uma empresa possui como equipamentos, ferramentas, e os não tangíveis, intangíveis, que dizem respeito a tudo que acontece em uma empresa que não é palpável, como processos, atividades, tarefas, normas, procedimentos, comportamentos e etc.

Quando a empresa identifica quais são essas restrições, é possível maximizar as chances de crescimento e alcance dos resultados de forma estruturada e contínua.

Já a manufatura sincronizada pode ser entendida como qualquer forma sistemática que procura movimentar o material de maneira rápida e uniforme através dos vários recursos da fábrica, de acordo com a demanda do mercado.

O conceito de manufatura sincronizada pode ser observado na Figura 1

Manufatura sincronizada é uma maneira de movimentação dos materiais dentro de um processo produtivo, de forma rápida e ordenada nos recursos disponíveis, para atender às demandas de mercado. Goldratt e Fox (1989)

Para um funcionamento adequado a manufatura sincronizada deve atender a alguns princípios básicos que podem ser verificados na Figura 2.

Não focar o balanceamento das capacidades, focar a sincronização do fluxo.

A teoria das restrições estabelece a necessidade do balanceamento do fluxo de produção na fábrica e não o balanceamento de capacidade. Dessa forma a ênfase focaliza o fluxo de materiais e não a capacidade instalada dos recursos. Isto só é possível por meio da identificação dos gargalos do sistema, ou seja, dos recursos que vão limitar o fluxo do sistema. Na abordagem da manufatura tradicional preconiza-se o balanceamento da capacidade dos recursos e a partir daí o estabelecimento de um fluxo regular e contínuo.

O valor marginal do tempo nos recursos gargalos é igual a taxa de ganho dos produtos processados pelos gargalos.

A capacidade global da fábrica é equivalente a capacidade dos gargalos de produção. Portanto, a o desempenho econômico da empresa está associado aos recursos gargalos. Sendo assim o tempo ganho no gargalo representa o tempo ganho no sistema como um todo. Recurso gargalo é qualquer recurso cuja capacidade seja inferior a demanda e, se ele não for equacionado, comprometerá o planejamento de produção da fábrica.

O valor marginal do tempo em um recurso não-gargalo é negligenciável.

O tempo de utilização de qualquer recurso pode ser subdividido em 3 categorias: tempos de processamento/produção, tempos de preparação e tempos ociosos. Nos recursos gargalos os tempos ociosos são iguais a zero. Portanto, qualquer redução nos tempos de preparação será convertida em tempo de processamento e consequentemente ganho para a empresa.

 O nível de utilização de um recurso não-gargalos é controlado por outras restrições dentro do sistema.

Esse princípio da manufatura sincronizada nos ensina que a utilização de um recurso não-gargalo seja parametrizada em função das restrições existentes no sistema, ou seja, pelos recursos internos com capacidades limitadas ou pela limitação da demanda do mercado.

Os recursos devem ser utilizados, não simplesmente ativados.

Esse princípio é estabelecido a partir de dois conceitos distintos: utilização e ativação. A utilização significa o uso de um recurso não-gargalo de acordo com a capacidade do recurso gargalo. A ativação pode ser entendida como o uso de um recurso não-gargalo em volume superior à requerida pelo recurso gargalo. Dessa maneira, portanto, a utilização constitui-se em subconjunto da ativação.

O lote de transferência não necessita ser, e muitas vezes não deve ser, igual ao lote de processo.

O lote de processamento diz respeito ao tamanho de lote que vai ser processado completamente em determinado período da produção antes que este seja preparado para o processamento de outro item. O lote de transferência corresponde ao tamanho do lote que vai sendo transferido para uma próxima operação. No modelo da teoria das restrições, os lotes de processamento e de transferência não precisam ser iguais. Isso permite que os lotes sejam divididos e o tempo de passagem dos produtos pela fábrica seja reduzido.

O lote em processo deve ser variável, tanto ao longo do roteiro de fabricação, como ao longo do tempo.

A maioria dos sistemas tradicionais de produção considera que o tamanho de lote deve ser o mesmo para todas as operações de fabricação do produto. Isso ocasiona um problema de escolha do tamanho do lote a ser adotado, uma vez que as características das operações individuais podem conduzir a um cálculo de lote diferente. No modelo em estudo, os lotes de processamento podem variar de uma operação para outra.

Para um maior aprofundamento leia:

GOLDRATT, E. M.; FOX, R. E. A corrida pela vantagem competitiva. São Paulo: Educator, 1989.

UMBLE, M.M. & SRIKANTH, M.L.: Synchronous Manufacturing: principles for world class excellence. Cincinnati, South-Western, 1990.

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